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A maioria das pessoas buscam na prática de uma atividade física o alcance de determinado objetivo ou melhora das suas capacidades físicas e, com o Treinamento Funcional, não é diferente!

Apesar da modalidade ser muito procurada para fins estéticos, o Treinamento Funcional é muito utilizado na reabilitação de pessoas que possuem doenças cardíacas, por exemplo.

O Treinamento Funcional para cardiopatas é uma excelente ferramenta para melhorar a qualidade de vida – melhora a resistência cardiovascular e respiratória, desenvolve a consciência e controle corporal, melhora a coordenação motora, o equilíbrio muscular, a força e o tônus muscular, devolvendo a qualidade de vida para esta população.

É importante que indivíduos que apresentem doenças cardíacas tenham a liberação médica antes de iniciar qualquer atividade física e, ainda, procurem um profissional preparado para atendê-los, pois existem alguns exercícios que possuem contraindicações RELATIVAS OU ABSOLUTAS.

Neste texto você conhecerá os principais tipos e métodos de exercícios do Treinamento Funcional que são contraindicados para pessoas cardiopatas.

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SAIBA MAIS

Quais são as principais doenças cardíacas?

1. Hipertensão arterial

Condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA).

Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo:

  • Coração;
  • Encéfalo;
  • Rins;
  • Vasos.

Tendo consequências metabólicas e o aumento dos riscos de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais.

Pode ser dividida em hipertensão essencial ou primária quando não conseguimos definir uma causa ou hipertensão secundária quando é derivada de uma outra doença de base,por exemplo, uma doença renal.

Os fatores de risco são:

  • Idade ≥ 65 anos;
  • Gênero e etnia: a prevalência global de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embora seja mais elevada nos homens até 50 anos, invertendo-se a partir da quinta década. Em relação à cor, a HAS é duas vezes mais prevalente em pessoas negras;
  • Fatores socioeconômicos: a influência do nível socioeconômico na ocorrência da HAS é complexa e difícil de ser estabelecida. No Brasil a HAS foi mais prevalente entre indivíduos com menor escolaridade;
  • Fatores genéticos;
  • Aumento de peso e obesidade: principalmente obesidade central;
  • Ingestão de sal;
  • Ingestão de álcool;
  • Sedentarismo;
  • Outros fatores de risco cardiovasculares.

2. Valvopatias

Febre reumática

É uma doença autoimune, desencadeada por infecção orofaríngea, causada por estreptococo beta-hemolítico grupo A, em indivíduos geneticamente predispostos.

A pessoa desenvolve como quadro clínico poliartrite, cardite, eritema marginado, coréia de Sydenham e nódulos subcutâneos, sendo que a manifestação mais grave é a cardite.

Estenose mitral

É a abertura inadequada da valva durante a diástole ventricular. As causas podem ser:

  • Febre reumática;
  • Congênita;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Endocardite infecciosa.

A estenose mitral leva ao acúmulo de sangue no átrio esquerdo, aumentando o gradiente de pressão entre o átrio e o ventrículo, sendo transferido para a rede vascular pulmonar. Como consequência, haverá um aumento da pressão do circuito respiratório com diminuição da complacência pulmonar. Devido a uma congestão pulmonar, os alvéolos se encharcam e param de produzir surfactante, gerando colabamento.

O paciente, inicialmente, terá falta de ar apenas em grandes esforços, progredindo para falta de ar ao repousar, tendo também sinais e sintomas de insuficiência cardiovascular crônica.

Insuficiência mitral

É o refluxo sanguíneo do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo por fechamento inadequado da valva mitral durante a sístole do ventrículo esquerdo. As causas podem ser:

  • Endocardite reumática;
  • Congênita;
  • Dilatação do ventrículo esquerdo por uma hipertensão coronariana;
  • Afecções da valva aórtica.

Os sinais e sintomas são:

  • Fadiga por baixo rendimento cardíaco;
  • Dispnéia de esforço;
  • Ortopneia;
  • Dispnéia paroxística noturna;
  • Sopro sistólico.

A atividade física vai depender da classificação da patologia que poderá ser mínima a grave.

Estenose aórtica

É a dificuldade de esvaziamento do ventrículo esquerdo para a aorta durante a sístole ventricular pelo estreitamento da valva aórtica.

A principal causa é a degenerativa, pois, de acordo com o processo de envelhecimento, a valva se torna mais rígida.

Sintomas e sinais clínicos:

  • Dispnéia;
  • Síncope ao esforço (desmaio);
  • Angina.

Insuficiência aórtica

É o regurgitamento do sangue da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole, gerando uma sobrecarga de volume no ventrículo e, por consequência, uma hipertrofia excêntrica.

As causas podem ser:

  • Reumática;
  • Endocardite infecciosa aórtica;
  • Congênita;
  • Por uma hipertensão arterial sistêmica descompensada;
  • Displasia;
  • Prolapso valvar;
  • Aneurisma dissecante da aorta;
  • Traumatismo.

Sinais e sintomas:

  • Dispnéia aos esforços (ortopnéia, dispnéia paroxística noturna progressiva);
  • Fadiga;
  • PA sistólica alta;
  • PA diastólica baixa;
  • Sopro protodiastólico.

Miocardiopatias

Quando o miocárdio está com alterações e sua classificação se dá de acordo com a causa. Os tipos de miocardiopatias são:

  • Miocardiopatia dilatada: quando o coração aumenta de tamanho, como é o caso de pacientes com a Doença de Chagas, por exemplo;
  • Miocardiopatia hipertrófica: quando existe uma hipertrofia de fora para dentro no ventrículo esquerdo, deixando uma cavidade extremamente pequena.

Doença arterial coronariana

É o estreitamento das artérias coronárias que limitam o fluxo sanguíneo causado pelo acúmulo de placas de gordura. Existem fatores de risco para o desenvolvimento da doença coronariana como:

  • Tabagismo;
  • Etilismo;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Hipertensão;
  • Diabetes.

Estes fatores predispõem não somente a retenção de gordura, já que a placa de ateroma é um tecido extremamente vivo, com células inflamatórias (colesterol, fibra muscular lisa) e estimula a aterosclerose, o que pode acumular no coração, nas carótidas e  nas artérias dos membros inferiores.

O diagnóstico padrão ouro é o cateterismo

Arritmias

É uma alteração na condução elétrica, que pode vir isolada ou associada a outras doenças.

Doenças cardíacas e exercício físico

O exercício físico auxilia na melhora da qualidade de vida e nas capacidades físicas dos indivíduos cardiopatas, porém, é de extrema importância a condução do tipo e, principalmente, da intensidade da atividade.

O risco de parada cardíaca durante o exercício físico é maior durante movimentos intensos e, também, logo após sua finalização. Isto acontece porque, durante exercícios de alta intensidade, como é o caso do Treinamento Funcional, o consumo de oxigênio aumenta no miocárdio e há uma diminuição da diástole, que consequentemente diminui a perfusão coronariana provocando um déficit temporário de oxigênio no tecido subendotelial.

Há ainda a diminuição do retorno venoso logo após o exercício, o que pode alterar a atividade elétrica do coração, levando a arritmias que podem evoluir para taquicardia ou fibrilação.

Contudo, estes eventos cardiovasculares ocorrem mais em pacientes que excedem seus limites de frequência cardíaca ou que apresentam alterações eletrocardiográficas importantes. Durante uma aula de Treinamento Funcional para cardiopatas, visando o condicionamento físico saudável, a supervisão do paciente/aluno e o conhecimento da sua condição clínica são essenciais para o sucesso e para a segurança.

Os exercícios mais recomendados para este público são os aeróbicos, ou seja, aqueles que envolvam grandes grupos musculares em uma intensidade de 50% a 85% do VO2 máx (dependendo do quadro clínico de cada paciente).

A proposta do Treinamento Funcional é a integração do sistema neuromuscular com o treino de padrões de movimento e não o trabalho de grupos musculares isoladamente, pois atividades cotidianas e desportivas exigem a ativação de diversos grupos musculares ao mesmo tempo. Por ter esta característica, muitos exercícios podem ser intensos para indivíduos cardiopatas.

O Treinamento Funcional é uma excelente ferramenta para melhorar a qualidade de vida, prevenir lesões e também pode ser utilizada na reabilitação, mas é preciso cautela na prescrição para grupos especiais.

Principais exercícios de Treinamento Funcional para cardiopatas contraindicados

Lembrando que nenhum exercício de Treinamento Funcional para cardiopatas é contraindicado! Vai depender do tipo e grau da patologia e da condição clínica do paciente. Porém, os exercícios a seguir precisam de precaução. São eles:

1. Pranchas sustentadas

A maioria dos exercícios isométricos devem ser prescritos com CAUTELA para cardiopatas, assim como qualquer outro tipo de exercício onde há a contração muscular sem movimento. A isometria causa uma elevação da pressão arterial que pode ser perigoso no caso de pessoas com hipertensão arterial grave ou insuficiência cardíaca, por exemplo.

2. Padrões de deslocamentos de alta intensidade

Exercícios com saltos e giros devem ser evitados por elevarem a frequência cardíaca que podem ser perigosos dependendo da patologia.

3. Agachamentos pliométricos

O agachamento é um ótimo exercício para ativar vários músculos ao mesmo tempo e melhorar a funcionalidade do indivíduo. Porém, quando realizado com pliometria (saltos) pode ser prejudicial para cardiopatas.

4. Exercícios em circuito

A contraindicação vai depender da intensidade.

Na reabilitação cardíaca é recomendável o circuito de tempo fixo, com duração mínima de 30s para cada estação e cargas (pesos) leves, porque não aumenta muito a PA, melhora a vascularização, aumenta a eficiência do metabolismo aeróbio e a coordenação neuromuscular.

A aplicação do treinamento em circuito deve ser realizado visando o desenvolvimento da resistência muscular localizada com uma duração de 15 a 20 minutos de sessão de condicionamento físico. Cada circuito necessita ser mantido por um período mínimo de oito sessões de condicionamento físico, para facilitar o aprendizado e o aperfeiçoamento da técnica de execução.

Conclusão

A palavra-chave para aplicar o Treinamento Funcional para cardiopatas é: SUPERVISÃO!

Um trabalho eficaz é aquele que o profissional conhece com excelência a patologia do seu paciente e consegue desenvolver um protocolo de treinamento de maneira lógica e eficiente, em que as melhorias mais expressivas na condição física do paciente começam aparecer nas primeiras sessões.

Avaliar a condição clínica do indivíduo a cada sessão, monitorando sua frequência cardíaca, pressão arterial e percepção de esforço é super importante para a segurança e a evolução do paciente.

 

Referências

DA SILVA, Rose Mary Ferreira Lisboa. Semiologia Cardiovascular: Método Clínico, Principais Síndromes e Exames Complementares. Thieme Revinter, 2019.

BRANCO, Victoria Gabarron Castello et al. Semiologia do aparelho cardiovascular. Anatomia e fisiologia. Cadernos da Medicina-UNIFESO, v. 1, n. 1, 2018.

KRAEMER, Eliane Carla; TAIROVA, Olga Sergueevna. Prescrição de treinamento para cardiopatas betabloqueados na reabilitação cardíaca. DO CORPO: ciências e artes, v. 1, n. 2, 2012.

REIS, A.A. Pilates funcional com acessórios-Ebook Voll Pilates Group, 2019.