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Cada um tem seus motivos para praticar ou não exercícios físicos. Apesar da amplitude desse tema, podemos e devemos nos cercar de algumas percepções sobre como cada um percebe a importância, a necessidade e o desejo de praticar exercícios físicos de modo regular. Isso está diretamente ligado com os motivos para praticar e, é claro, com o funcionamento da motivação. 

Por exemplo: você se sente motivado a praticar exercícios físicos de modo regular? E mais: você sabe como motivar seu cliente? Sabemos que este é um dos grandes problemas para a prática profissional do Personal Trainer e a rotatividade de clientes. Ainda, sabemos que por consequência isso gera uma instabilidade em relação ao salário, que pode acabar variando muito em função dessa rotatividade.

Sendo assim, conhecer um pouco sobre o comportamento humano e como nos relacionamos com o exercício físico pode representar uma grande vantagem nos nossos negócios! Continue lendo para descobrir como acontece o funcionamento da motivação.

Os princípios do funcionamento da motivação

A motivação para a prática de exercício físico é algo complexo do ponto de vista comportamental. Apesar disso, atualmente está mais fácil compreender, explicar e manipular o funcionamento da motivação.

Nos mais variados grupos (crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos) a motivação é citada como fundamental para o início e manutenção da prática regular de exercícios físicos. Essa percepção de que a motivação é tão importante se dá pelo fato de que a grande maioria das pessoas entende o exercício físico como algo chato. 

Mas e as pessoas que adoram praticar esportes? Bom, nesse caso é preciso compreender que a prática esportiva traz consigo um aspecto lúdico altamente motivador. Isso porque a atividade, enquanto dentro do contexto esportivo, está focada no objetivo final: marcar o ponto, fazer o gol, chegar primeiro, chegar mais longe.

Enquanto isso, uma atividade como a musculação, por exemplo, não carrega consigo essa ludicidade e, assim, acaba trazendo a atenção do praticante para o desconforto muscular e cardiovascular dessa atividade. Por isso, é comum ouvir as pessoas dizendo que gostam de “jogar bola”, correr ou praticar outros esportes, mas que praticar musculação “é muito chato”. 

Nesse sentido, percebemos que a existência de motivação para prática de exercício é muito importante. Mas, se ela é tão difícil de ser percebida, como vou me sentir motivado para algo que percebo como maçante?

Assim, percebemos que é preciso tentar explicar melhor esse processo aos nossos clientes para conseguir levá-los até o estado de motivação necessário. Por isso, precisamos compreender as diferentes formas, classificações e o funcionamento da motivação. Vamos lá?

As fontes de motivação: 5 aspectos fundamentais

De acordo com Deci e Ryan (2005, 2007), os estudos identificam 5 fontes de motivação. São elas: 

  • A motivação intrínseca;
  • Motivação integrada;
  • Motivação identificada;
  • A motivação introjetada;
  • E a motivação externa (extrínseca).

O funcionamento da motivação intrínseca, integrada e identificada

A primeira ocorre quando o próprio indivíduo escolhe ser ativo, pois percebe aquela prática como prazerosa. Nesse caso, a motivação acontece de forma natural para o praticante. Já a motivação integrada surge em casos nos quais o indivíduo escolhe ser ativo pois esse comportamento está associado a outro objetivo. Um exemplo disso é escalar uma montanha nas férias ou participar de uma corrida de rua ao final do semestre. Ou seja, a atividade está atrelada a outro fator externo (geralmente ambiental). 

A terceira fonte de motivação, a motivação identificada, surge de uma combinação de fatores internos e externos. Nela, o indivíduo realiza uma reflexão que o faz perceber que é melhor se exercitar. A pessoa pensa algo como: “se eu não me exercitar, vou perder muita massa muscular e posso acabar ficando dependente de outras pessoas para realizar minhas atividades básicas”. Assim, é um pensamento racional que cria o impulso de praticar o exercício físico.  

O funcionamento da motivação introjetada e externa (extrínseca)

No funcionamento da motivação introjetada, por outro lado, a causa do treino se dá pelos sentimentos que sua prática (ou não) podem causar. Por exemplo: o indivíduo pratica exercícios pois se sente orgulhoso de si mesmo e realizada após executar seu treino. Ou, por outro lado, a sensação pode ser de vergonha por não treinar ou de estar perdendo o dinheiro da mensalidade caso não treine. Nestes casos, o exercício é realizado para gerar um sentimento positivo ou para evitar sentimentos negativos.

Por fim, temos a motivação externa (ou extrínseca). Nesse caso, o indivíduo percebe uma recompensa por praticar exercícios. São comuns pensamento como: “se eu aumentar minha massa magra as pessoas vão notar e me elogiar” ou “se eu couber em um vestido como esse, minhas amigas vão me invejar” ou, ainda, “fiz uma aposta e preciso reduzir 5 kg em um mês para ganhar essa bolada”. Isso significa que a recompensa da prática é o que move a pessoa a treinar.

Interessante perceber os pensamentos que estão por trás do ato de decidir praticar atividades físicas, não é? Mas, além disso, também existem alguns componentes que são decisivos para essa escolha ser para um lado positivo (ir treinar) ou negativo (desistir do treino). Vamos compreender quais são eles abaixo.

Os componentes do funcionamento da motivação

Existem, ainda, descritos na literatura os “três componentes da motivação”. Veja abaixo quais são eles.

  1. Energia: o indivíduo busca a prática de exercícios físicos pois percebe claramente os benefícios a curto, médio e longo prazo. 
  2. Direção: o indivíduo se motiva a praticar exercícios pois está em busca de algo bom ou quer fugir de algo ruim que possa acontecer. Por exemplo: “vou me exercitar, pois a ideia de ficar gorda me apavora” (ou seja, está fugindo de algo que considera ruim) e “quero treinar, pois quando estiver satisfeita com meu corpo vou usar o biquíni que tanto gosto” (em busca de algo positivo).
  3. Persistência: nesse caso, a continuidade da prática acontece mesmo quando a empolgação causada pela novidade passa. É o caso, por exemplo, de alguém que compra uma esteira e faz caminhadas todos os dias no início mas, depois, passa a ter preguiça. Depois que a euforia da novidade passa, o indivíduo para de praticar por falta de persistência. Este componente é perceptível na seguinte frase: “não gosto de fazer musculação, me falta vontade de ir até a academia. No entanto, estou lá de segunda a sexta”. 

A importância da adaptação dos componentes da motivação

O profissional de Educação Física precisa estar atento a todos esses conceitos, pois cada indivíduo vai responder de modo muito particular à sua inclinação de praticar ou não exercícios físicos de modo regular. Uma abordagem bem sucedida com um cliente pode ser um desastre com outro.

Por exemplo: se você tem um cliente motivado de modo direcionado a buscar um benefício, usar em sua linguagem coisas do tipo “imagine como estará seu corpo e condicionamento daqui a 6 meses se continuar treinando bem dessa maneira” terá um apelo motivacional forte. 

Nesse contínuo, essa mesma frase pode não ter impacto naquele cliente direcionado à se motivar para escapar de algo ruim. Nesse caso, ele vai focar, por exemplo, no tempo: “nossa, 6 meses é muito tempo”. Com isso, ele pode se sentir desmotivado, pois não funciona dessa maneira – ele não se sente motivado projetando um benefício futuro.

Portanto, para esse cliente a seguinte frase pode ter mais sucesso em motivá-lo: “imagine como vai estar seu corpo e seu condicionamento daqui a alguns meses se você não treinar: mais gordura, menos massa muscular, menos saúde…”. Você percebe a importância dessa adaptação de discurso? Isso pode alavancar – e muito – os resultados do seu aluno!

Conclusão

O seres humanos são mais complexos do que os estudos sugerem. Mecanismos neurofisiológicos atuam o tempo todo nos direcionando para comportamentos que nosso inconsciente percebe como mais vantajosos para nós, mesmo que não sejam os mais saudáveis. Apesar das estratégias de abordagem citadas acima terem o poder de atuar sobre esses mecanismos neurofisiológicos, existe um outro fator a ser considerado: o hábito.

Sendo assim, também é importante compreender que muitas vezes o fator “persistência” deve ser o objeto de foco de cliente e do treinador até que o hábito seja instaurado à nível neural inconsciente. Mas como fazer isso? Bom, vamos com calma: vamos falar um pouco sobre o hábito, como ele se forma, como podemos nos livrar de maus hábitos e como incluir um novo hábito… no próximo artigo! Aguardo por você lá! Enquanto isso, caso tenha ficado com alguma dúvida, comente abaixo!