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Todos estamos sujeitos à inexorabilidade do tempo, ao efeito gravitacional e tudo o que o envelhecimento e os hábitos (bons ou maus) causam ao nosso organismo, inclusive as lesões causadas pela má postura e o encurtamento muscular.

Para saber como e porque surgem essas lesões e entender como a má postura e o encurtamento muscular influenciam, continue lendo esta matéria!

O sistema músculo esquelético

Nosso sistema músculo esquelético está ininterruptamente em uma batalha para manter sua homeostase. É um constante cabo de guerra entre os músculos, com o objetivo de que as estruturas permaneçam em equilíbrio.

Quando um músculo começa a vencer essa luta de forças, alguém sempre sairá prejudicado e alguma parte do conjunto músculo, tendão, osso ou articulação, acabará sofrendo os danos de uma batalha que poderia ter sido evitada.

Vamos entender o que ocorre neste “cabo de guerra” entre as musculaturas que mantém uma articulação em ordem e em equilíbrio?

A maior parte das articulações do nosso corpo possui uma musculatura agonista e uma antagonista.

Peguemos a articulação do cotovelo, em que a principal função é a flexão do mesmo, como exemplo. O principal músculo que realiza este movimento é o bíceps braquial. Quando precisamos pegar qualquer coisa de baixo para cima e colocar de volta, é ele quem executa e controla o movimento.

01 - Por que a má postura e o encurtamento muscular geram lesões

Porém, temos em oposição o seu antagonista, que é o tríceps braquial. Para o bíceps realizar sua função é preciso da liberdade e flexibilidade do tríceps. Ou seja, se o tríceps estiver muito encurtado ou em contratura, ele irá impedir a funcionalidade correta do bíceps.

O mesmo acontece inversamente. Se tomarmos o tríceps braquial como agonista, realizando sua função de extensão do cotovelo, caso o bíceps braquial esteja encurtado, o cotovelo não irá se estender totalmente podendo dificultar algumas funções.

Isso pode ocorrer em todos os músculos esqueléticos. Não importa qual seja o movimento realizado, sempre haverá um músculo agonista e um antagonista.

Entendendo as alterações posturais

O primeiro grande vilão do desequilíbrio muscular, em que os danos estão mais sujeitos à passagem do tempo, é a má postura.

Em primeiro lugar temos que diferenciar má postura de alteração postural e alteração postural estruturada. A má postura é aquela em que permanecemos por desleixo.

Ficamos em determinadas posições por achar que se está numa posição aparentemente mais confortável, mas quando saímos dela o nosso corpo ainda consegue voltar ao posicionamento alinhado de acordo com o que é considerado normal e equilibrado.

02 - Por que a má postura e o encurtamento muscular geram lesões

Um exemplo de má postura é ficar sentado com os ombros “caídos” a frente e curvados diante do computador. Porém, assim que se levanta, o organismo ainda consegue voltar para o “lugar correto”, com ombros alinhados e tórax naturalmente curvado.

A alteração postural é aquela em que um indivíduo saudável (sem ainda nenhuma alteração estrutural ou deficiência), não consegue mais ficar em uma determinada postura sem fazer um grande esforço. Imagine o mesmo caso anterior, porém quando esse indivíduo se levanta, ele permanece na mesma postura curvada que estava antes e se quiser melhorar o alinhamento, tem que forçar a correção.

Já a alteração estrutural ocorre quando há alguma deformidade óssea ou articular, calcificação tendínea ou mesmo uma fusão óssea, como no caso onde duas vértebras se fundem por causa do desgaste do disco intervertebral. Nestes casos, nem o esforço de correção surtirá efeito.

As alterações estruturais podem ocorrer pelo acometimento de algumas doenças como a Espondilite Anquilosante (vide artigo), a artrose e a osteoporose; por cirurgias mal feitas ou por uma má formação congênita.

A alteração estrutural também pode ocorrer devido a uma alteração postural que se tornou crônica, ao ponto de se tornar irreversível. Isso geralmente ocorre em indivíduos adultos depois de muitos anos de alteração postural associado a, principalmente, falta de exercícios físicos.

A escoliose idiopática (sem causa definida) pode ser parcialmente revertida se houver um tratamento precoce e bem feito. Mas a partir de um determinado momento ela passa a ser totalmente estruturada.

Até cerca dos 25 anos de idade, nosso corpo ainda é um tanto moldável. Porém, à medida que o tempo e os anos se passam, fica cada vez mais difícil reverter as alterações.

Neste texto iremos discorrer somente sobre o que se refere à má postura e o encurtamento muscular, além de alterações posturais não estruturadas.

“Postura Articular” e o esforço do ofício

A postura costuma estar relacionada a tudo o que se refere ao posicionamento da coluna vertebral, estendendo-se para a cintura escapular (região dos ombros) e cintura pélvica (região do quadril).

Quando se fala em articulações sinoviais (onde as extremidades ósseas são compostas por cartilagem, membrana sinovial e líquido sinovial), fala-se em posição articular. Tomei aqui uma simples liberdade de chamar de “postura articular”. Esse é o segundo grande vilão das lesões do desequilíbrio muscular.

Vamos pegar duas situações aparentemente similares no que concerne ao uso de mãos e dedos: um programador de software e um violonista.

Em um primeiro momento, poderíamos imaginar que o programador está mais sujeito à lesão devido ao uso extremo dos dedos utilizados para digitar. E o violinista usa dos dedos para pressionar as cordas do violão. Porém a maioria das lesões, nestas duas situações, ocorrem mais pelo posicionamento do punho do que pelo tipo de esforço em repetição.

Um programador desatento pode ficar com as mãos o tempo inteiro levantadas (punhos em extensão) para digitar, se não tiver bons acessórios de ergonomia e também de treinamento correto.

O grande problema será a união dos fatores do punho em extensão com o esforço constante do ato de digitar. E ao contrário do que se possa imaginar, quem será sobrecarregado, nesta situação, serão os extensores de punhos e dedos e não os flexores.

Para digitar é necessário tanto força para levantar os dedos quanto para flexionar (apertar as teclas). Como os extensores já estão em tensão constante, a sobrecarga recairá sobre eles.

Já o violonista pode ficar com o pulso muito flexionado se não souber se posicionar corretamente em relação ao braço do violão, onde o punho deveria ficar mais neutro em relação ao antebraço.

Neste caso o problema ocorre nos flexores de punhos e dedos. Para segurar as cordas do violão, tem que se fazer uma força considerável e, como os flexores já estão em constante tensão, eles serão os sobrecarregados.

Mais uma vez descobrimos que os problemas decorrem mais pelo mal posicionamento articular do que pelo esforço repetitivo em si. Isso explica por que algumas pessoas têm mais lesões do que as outras.

Mas então como ocorrem as lesões pela má postura e o encurtamento muscular?

Imagine uma ponte estaiada. O tanto de engenharia que foi utilizado para projetar essas enormes estruturas sustentadas por cabos de aço, de maneira que o menor desequilíbrio pode causar danos estruturais que, um dia, poderá fazer com que essa ponte caia.

Nosso corpo se desenvolveu de maneira parecida. Milhares de anos de adaptação para gerar estruturas feitas para suportar cargas e vencer o constante efeito da gravidade. Basta sair do prumo para ver uma estrutura perder seu equilíbrio.

Nossos músculos são formados por fibras longilíneas, com alta capacidade elástica (flexíveis), que vão se tornando mais colagenosas e rígidas em suas extremidades, formando os tendões, até se inserirem nos ossos.

A articulação é o local de movimento onde dois ossos se encontram. Para absorver o impacto e minimizar o atrito, essas superfícies são recobertas por uma cartilagem rígida e lubrificada.

Então temos o encontro de dois ossos com um músculo agonista de um lado e o seu antagonista do outro lado, além de uma cartilagem ao centro. Ainda temos, em diversas articulações, bursas e ligamentos que servem respectivamente para absorver o impacto e aumentar a estabilidade. E permeando tudo isso temos os nervos e vasos sanguíneos.

Quando um músculo começa a ficar patologicamente encurtado, pode acontecer duas coisas.

  • Primeira: a articulação perde o seu equilíbrio e, com o tempo, passa a ficar desalinhada. Isso poderá gerar um maior atrito na região que, por sua vez, poderá causar uma inflamação (artrite) indo até um desgaste no tecido cartilaginoso (artrose);
  • Segunda: músculo antagonista ao que está se encurtando acaba ficando cada vez mais em extensão e, para tentar compensar o desequilíbrio, fica cada vez mais tenso para tentar manter a estrutura alinhada. Essa tensão leva a uma fadiga muscular que consequentemente poderá gerar uma rigidez muscular (contratura) até chegar a uma inflamação dos músculos (miosite) e dos tendões (tendinite).

Na coluna o processo é semelhante, mas ele acontece em múltiplas articulações (intervertebrais).

A coluna se movimenta em cadeias de vértebras que em conjunto absorvem os impactos e mantêm seu equilíbrio. O equilíbrio, por sua vez, se dá através das curvaturas naturais (cifoses e lordoses) conferindo-lhe o formato sinuoso em “S” quando vista lateralmente (plano sagital).

As tensões e encurtamentos musculares que sustentam essa estruturas farão com que essas curvas aumentem, causando as chamadas hiperlordoses (cervical e lombar) e hipercifose (torácica e sacral), ou diminuam, causando as retificações.

A curvatura para as laterais (plano frontal) é a escoliose.

Nossas vértebras possuem uma conformação natural, cada uma delas desenvolvida para seu local exato.

Quando o equilíbrio é rompido, a vértebra e sua articulação adjacente começarão a sofrer sobrecargas, podendo levar a desgastes e deformidades dos ossos, cartilagens e discos intervertebrais. Isso com o tempo poderá causar artrites, artroses, protrusões, hérnias e demais patologias relacionadas à coluna.

Fatores associados às lesões por má postura e o encurtamento muscular

Não podemos esquecer dos três grandes fatores que, por si só, aumentam consideravelmente a chance de desenvolver lesões em qualquer tecido do corpo:

  • Sedentarismo: leva a uma fraqueza generalizada onde, a diminuição da massa muscular aumenta o atrito nas articulações, aumentando consideravelmente a chance de lesões;
  • Tabagismo: acelera o envelhecimento e enfraquecimento de todas as das células do corpo, e não somente às do sistema respiratório;
  • Envelhecimento natural: nós estamos em contínuo estado de envelhecimento, o que, por si só, acarreta em desgastes naturais aos quais todos estamos sujeitos..

Há ainda um quarto fator que deve ser considerado: a obesidade. A sobrecarga decorrente do excesso de peso, principalmente associada ao sedentarismo, aumentam as chances de desgastes e lesões que vão desde a região lombar até os pés. Quadris e joelhos são as regiões que mais costumam sofrer nestes casos.

Conclusão

Como praticamente tudo nessa vida, a maneira como lidamos com o nosso corpo e com a nossa mente é decorrente do meio e da educação.

Criar hábitos saudáveis deve ser desenvolvido desde a infância e ser incentivado por todas as fases da nossa vida, evitando assim a má postura e o encurtamento muscular.

É muito fácil nos perdermos nas “obrigações” da vida moderna, que vão dos estudos ao trabalho, passando pela vida social e amorosa, e por fim negligenciarmos os cuidados com nós mesmos.

Criar um hábito saudável é tão difícil quanto largar um hábito nocivo. Realmente depende de cada um buscar sua força de vontade ou o apoio necessário.

Lembre-se, corrigir é muito mais difícil do que prevenir.