Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

Ao se falar em prescrição de exercícios físicos, muitos profissionais negligenciam a periodização em virtude de acharem que basta montar uma sessão de treino, repetindo-a eternamente, para que o objetivo seja alcançado ou mesmo por acreditarem não existir diferença em periodizar ou não um treinamento físico.

Para entendermos melhor esta questão, precisamos desmistificar alguns pré-conceitos (ou preconceitos) que perduram no cenário do treinamento físico, principalmente no âmbito do fitness e wellness, aonde se enquadram principalmente as academias de ginástica e musculação.

Então, que tal compreendermos melhor alguns princípios básicos do treinamento? Continue lendo a matéria e confira!

Os princípios básicos do Treinamento Físico 

princípios básicos do Treinamento Físico

Vivemos em uma época onde cada vez mais as pessoas buscam por resultados prontos e imediatos, recorrendo muitas vezes às “receitas de bolo” mágicas que levam ao resultado esperado.

Tal constatação evidencia como negamos um princípio básico do treinamento físico, o “Princípio da Individualidade Biológica”, ou seja, cada indivíduo é diferente um do outro e responde de maneira distinta a um mesmo estímulo. Sendo assim, utilizar a mesma prescrição de treinamento (“receita”) de um atleta não me garante que eu alcançarei o mesmo resultado.

Ainda sobre este tópico, outro conceito necessário é o entendimento sobre “Resposta” versus “Adaptação”. Quando falamos em “resposta”, estamos falando do efeito agudo resultante do exercício físico ou sessão de treino, por exemplo, uma resposta cardiovascular seria o aumento da frequência cardíaca, pois o aumento do estresse fisiológico proporcionado pelo exercício físico exige uma maior circulação sanguínea para suprir a demanda de nutrientes e oxigênio, fazendo com que os batimentos cardíacos aumentem em relação ao estado de repouso. Tal situação tende a retornar ao estado de repouso, ou muito próximo disso, após a recuperação.

Sendo assim, falar em resultado esperado nos remete ao entendimento de “adaptação”, que se refere ao efeito crônico (em longo prazo) resultante do processo de treinamento físico, por exemplo, uma adaptação à musculação seria o aumento da força muscular, pois os estímulos repetidos com sobrecarga geram adaptações neurais e morfológicas que resultam no aumento da força muscular.

Por isso, podemos perceber o quão incoerente é o fato das pessoas buscarem por resultados imediatos e não darem importância ao uso da correta periodização do treinamento físico, inclusive por alguns profissionais da própria área do treinamento, como treinadores e personal trainers.

Para atingir determinado resultado esperado é necessário gerar adaptação, o treinamento deve ser conduzido a médio e longo prazo, sendo planejado, organizado, sistematizado, controlado, individualizado, ou seja, periodizado.

Crenças e verdades do Treinamento Físico

Mitos e verdades do Treinamento Físico

Nesse momento você deve estar se perguntando: “Ora, se é tão óbvio assim que para gerar adaptação é necessário um treinamento prolongado e que para um treinamento ser conduzido em longo prazo deve ser periodizado, por que muitas pessoas acreditam não ser necessário periodizar o treinamento para se atingir o resultado esperado? ”.

A resposta a esta pergunta se baseia em duas crenças equivocadas: a primeira consiste em achar que periodização é coisa para treinamento de atleta de alto rendimento; e a segunda, parte da constatação de que um treinamento físico não periodizado e sem controle também pode gerar possíveis adaptações.

Em relação à primeira crença, todo treinamento conduzido a médio e longo prazo deveria ser periodizado, independentemente se seu objetivo é atingir o alto rendimento, saúde ou estética, afinal, estamos buscando gerar adaptação orgânica.

Isso porque o treinamento prolongado deve apresentar certa flutuabilidade para que o indivíduo continue apresentando respostas positivas ao estímulo dado e não estacione em determinado nível de adaptação, ou pior, regrida sua adaptação podendo inclusive desenvolver algum tipo de lesão.

Entretanto, o que determinará tal flutuabilidade, até mesmo quando e como ela ocorrerá, é o controle contínuo do treinamento físico, ou seja, se seu treinador ou personal trainer não faz um controle constante e diário do seu treinamento (carga utilizada, percepção da carga, progressão da carga…) por meio de planilhas e/ou anotações, provavelmente isso não está ocorrendo.

Porém, se o que foi dito acima está correto, como poderia alguém constatar que um treinamento não periodizado e sem controle também pode gerar algumas adaptações? Isso é possível?

Sim, isso é possível e, dependendo do caso, até esperado, mas é aqui que as pessoas se esquecem de um pequeno detalhe que faz toda a diferença: isso ocorre em indivíduos sedentários ou com nível de aptidão física muito baixo, sendo assim, qualquer estímulo resultará em uma adaptação maior do que a atual.

E esta é a maior razão pela qual as pessoas desacreditam da importância da periodização do treinamento físico, pois a maior parte do público que frequenta as academias de ginástica e/ou musculação se enquadram nesta característica (sedentários ou com baixo nível de aptidão física).

Os demais frequentadores que não se enquadram nesta população, ou seja, possuem um nível de aptidão física mais elevado por treinar a mais tempo, são justamente os indivíduos que frequentemente não entendem porque estagnaram na evolução do treino, não conseguindo mais progredir.

Isso ocorre pelo fato de serem indivíduos adaptados, fazendo com que em algum momento o organismo atinja um platô de adaptação que só pode ser ultrapassado a partir da manipulação correta das variáveis do treinamento, algo similar ao que acontece com atletas de alto rendimento e que demanda uma periodização correta e minuciosa do treinamento físico para se atingir o resultado esperado.

Por esta razão, e também pelo fato de não estarem previstos eventos competitivos durante o treinamento de um indivíduo que frequenta academia, existe a crença de que treinamento periodizado é coisa para atleta de alto rendimento e/ou modalidades esportivas.

Conclusão

Conclusão - Treinamento Físico

Sendo assim, a prescrição do treinamento físico é uma tarefa extremamente complexa e importante, que não pode ser tratada de maneira displicente independente do público-alvo ou do objetivo a ser alcançado.

Para isso, é fundamental que o profissional de educação física busque constantemente o aprofundamento e atualização do conhecimento, pois isso lhe fornecerá subsídios a serem utilizados neste processo.

Referências

ACSM. American College of Sports Medicine position stand. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal and neuromotor fitness in apparently healthy adults: Guidance for prescribing exercise. Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 43, n. 7, p. 1334-59, 2011.\,.

BARBANTI, V.J. Treinamento físico: bases científicas. 3º ed. São Paulo: CLR Balieiro, 2001.

BÖHME, M.T.S. Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 11, n. 3, p. 97-104, 2003.

BOMPA, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. São Paulo: Phorte, 2002.

BORIN, J.P.; RODRIGUES, A.; DALLEMOLE, C.; FERREIR, C.K.O.; DONATO, F.; LEITE, G.S.; SALLES, G.S.L.M.; LAPIN, L.P.; GEBRIN, M.N.; SIMÕES, M.; COLLAZANTE, R.; SOUZA, T.M.F.; ALVES, T.C. Buscando entender a preparação desportiva a longo prazo a partir das capacidades físicas em crianças. Arquivos em Movimento, v. 3, n. 1, p. 87-102, 2007.

GOBBI, S., Bases Teórico-Práticas do Condicionamento Físico. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

MATVEEV, L. P. Teoria general del entrenamiento deportivo. Barcelona: Paidotribo, 2001.

PLATONOV, V. N. Teoria Geral do Treinamento Desportivo Olímpico. Porto Alegre: Artmed, 2004.

SOUZA, T.M.F. EDUCAÇÃO FÍSICA; SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA. In: ZAMAI, C.A.; PERES, C.M. (Org.). Exercício físico na promoção da saúde física, mental e social. 1ªed.: Novas Edições Acadêmicas, p. 34-43, 2018.

SOUZA, T.M.F. Exercício Físico e Saúde no Século XXI. In: ZAMAI, C.A.; FILOCOMO, M.; RODRIGUES, A.A. (Orgs.). Qualidade de vida, diversidade, sustentabilidade. 1ed. Jundiaí: Paco Editorial, p. 41-51, 2015.

VERKHOSHANSKI, I. V. Treinamento Desportivo, teoria e metodologia, Porto Alegre: Artmed, 2001.

WEINECK, J. Treinamento Ideal. 9. ed. São Paulo: Ed. Manole, 2003.

ZAKHAROV, A., GOMES, A.C. Ciência do treinamento desportivo. Rio de Janeiro: Palestra Sport, 2003.

ZATSIORKY, V.M. Ciência e prática do treinamento força. São Paulo: Phorte, 1999.