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Obesidade: Educação Física como Combate a essa Doença

Hoje, dia 12 de outubro, é comemorado o Dia das Crianças!

E para comemorar essa data preparamos esse artigo que juntará duas datas importantes dessa semana: o Dia das Crianças e o dia da Prevenção da Obesidade (11/10).

A obesidade é um problema muito grave da nossa sociedade, segundo dados coletados esse ano pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas, divulgados pelo Ministério da Saúde.

18,9% da população brasileira sofre de obesidade, afetando adultos e crianças.

Por se tratar de uma doença crônica, a obesidade também pode estar relacionado à doenças como depressão e a fatores genéticos, fazendo com que a perda de peso se torne um processo ainda mais difícil.

A Educação Física pode ser um grande aliado para a perda de peso, mas só ela não fará milagres. Quer saber mais? Continue lendo!

Obesidade

A obesidade é a condição na qual o indivíduo possui uma quantidade de gordura extra no corpo comparada a sua massa magra, causando riscos a sua saúde.

Não é apenas exceder na comida, mas sim um conjunto de fatores que associados levam a um balanço energético positivo. Esses fatores podem ser:

  • Genéticos
  • Metabólicos
  • Nutricionais
  • Psicossociais

A obesidade pode começar no início da infância, e com isso as probabilidades de obesidade na vida adulta são três vezes maiores em comparação com crianças de peso normal.

Os períodos críticos do surgimento da obesidade são:

  1. Último Trimestre de Gestação
  2. Primeiros 12 Meses de Vida
  3. Fase Pré-Escolar
  4. Puberdade

A forma mais grave se inicia neste último período e, a partir daí, segue progressivamente.

Essas são as fases da vida que se multiplicam o número de células de gordura.

Ou seja, o tecido adiposo já se configura desde a infância. As células que armazenam gordura multiplicam-se na fase intrauterina, nos 2 primeiros anos de vida, novamente entre os cinco e os sete anos e mais uma vez durante o estirão do crescimento.

A falta de exercício e o excesso de comida podem estimular sua formação. Se a criança engordar muito nessas fases dificilmente deixará de ter um excesso de peso na idade adulta.

E a obesidade iniciada na infância se torna mais grave que a surgida na fase adulta, pois na infância as células de gordura se multiplicam e na idade adulta as células existentes aumentam seu volume com gordura acumulada, mas sem a multiplicação, o que torna mais fácil a perda do tecido adiposo.

O fator de risco para o problema na criança é a própria obesidade de sua família (genética), somado, claro, ao ambiente em que vive.

Os pais obesos entram no quesito normalidade, não se importando com os riscos que a obesidade infantil pode causar nessa fase e levar pra vida adulta.

Outros pais não sabem como lidar com o psicológico da criança ou adolescente obeso. Para as crianças comerem toda a comida saudável eles dão recompensas com sobremesa, como se ela fosse a parte mais importante da alimentação.

Para os adolescentes, deixam suas escolhas à vontade, ou seja, se quer comer alimentos saudáveis ou fast-foods e muitos não os incentivam na prática de atividades físicas, apenas as intelectuais.

Desse modo, o fator ambiental é o principal vilão desde a infância até a vida adulta.

Classificação da Obesidade

Existem vários critérios para classificar e diversos subgrupos de obesos e aqui vamos expor as principais delas.

1) Classificação Etiológica

Considerando a obesidade como acúmulo excessivo de gordura no corpo. Temos:

  • Obesidade Exógena: Excesso de gordura decorrente do balanço energético positivo entre ingestão e demanda energética, responsável pela maioria dos casos de obesidade.
  • Obesidade Endógena: Tem causas hormonais oriundas de alterações do metabolismo tireoidiano, gonadal, hipotálamo-hipofisário, de tumores como o craniofaringeoma e as síndromes genéticas.

2) Classificação segundo Quantidade de Gordura

É a classificação mais usada na área da saúde. Baseia-se no índice de massa corporal (IMC). Quando a quantidade de gordura corporal é excessivamente alta é classificada como obesidade mórbida.

Proporções discretamente altas são definidas como obesidade leve ou sobrepeso.

Entre esses dois extremos, estão a obesidade moderada e a obesidade elevada. E, devido a mulher possuir uma taxa de gordura mais alta que o homem, os índices diferem conforme o gênero.

Para calcular o IMC: peso (kg) ÷ altura² (m²)

3) Classificação Anatômica

De acordo com as características do tecido adiposo a obesidade pode ser classificada como:

  • Hiperplásica – Número anormalmente acentuado de células adiposas no organismo.
  • Hipertrófica – Associada ao tamanho da células que podem alcançar até 40% do seu tamanho em relação aos não obesos.

Infelizmente, as intervenções terapêuticas provocam modificações apenas no tamanho das células adiposas, não em seu número, assim a duração da redução do peso corporal é mais curta, e a velocidade com que volta a aumentar é maior nos indivíduos com obesidade hiperplásica.

4) Classificação segundo Distribuição Regional de Gordura Corporal

Temos a obesidade ginóide, ou periférica, que caracteriza-se pelo acúmulo de gordura predominando na metade inferior do corpo (quadril, glúteos, coxa superior), tem o efeito hormonal dos estrógenos.

É mais predominante em mulheres a partir da puberdade.

E a obesidade androide, ou central, que apresenta acúmulo de gordura nas regiões do abdômen, tronco, cintura escapular e pescoço, sofrendo os efeitos hormonais da testosterona e dos corticoides.

Manifesta-se sobretudo nos homens mas há possibilidade de ocorrer na mulher, assim como a ginóide no homem. Isso ocorre em pessoas excessivamente obesas onde a diferenciação sexual tende a desaparecer.

5) Classificação segundo Época de Início

A obesidade hiperplásica é progressiva podendo começar nos primeiros anos de vida ou principalmente na puberdade sendo de difícil controle.

A obesidade hipertrófica se manifesta na vida adulta sendo mais fácil de controlar e reverter.

Causas da Obesidade

A obesidade não é só excesso de comida. Temos que levar em conta o balanço energético.

A causa direta da obesidade é o balanço calórico positivo. Uma pessoa só irá engordar se a quantidade de calorias que ela ingerir superar a quantidade de calorias gastas.

Mas fatores sócios-culturais, genéticos, endócrinos e metabólicos também podem levar à obesidade.

A inatividade física influencia mais no ganho de peso na infância do que a alimentação, e isso se estende também para a vida adulta. Hábitos na família e amigos podem contribuir para maus hábitos alimentares levando à obesidade.

Além disso, problemas pessoais como os financeiros, sociais ou afetivos podem levar a pessoa a ingerir alimentos em excesso e adotar uma vida mais sedentária causando o balanço calórico positivo.

Aspectos hereditários levam à obesidade. Segundo a OMS, uma criança tem 10% de chance de ficar obesa se os pais tem peso normal, 50% de chances se um dos pais é obeso e 80% se ambos são obesos.

Mas tanto a genética quando fatores endócrinos e metabólicos como administração de insulina e glicocorticoides são menos influenciadores no ganho de peso quanto o descuido com a alimentação e o sedentarismo.

Consequências

As maiores consequências da obesidade estão na predisposição à doenças cardiovasculares e pulmonares. A severidade nesses casos está na influência cardíaca, tromboses e hemorragias cerebrais e tromboses coronarianas.

As doenças que podem ser agravadas pela obesidade destacam-se:

  1. Diabetes Mielito,
  2. Doença Vascular Hipertensiva
  3. Arteriosclerose
  4. Varizes Essenciais dos Membros Inferiores
  5. Entre Outras

O obeso está mais sujeito a ferimentos corporais por acidentes, pois sofre a redução de suas capacidades físicas e diminuição da velocidade de movimento.

As mulheres obesas estão mais propensas a complicações durante a gravidez.

O sistema circulatório é afetado pelo excesso de gordura, devido a sobrecarga do coração. Assim, pessoas portadoras de doenças cardiovasculares deveriam manter o peso dentro da normalidade.

Podemos com estas e outras consequências, elencar os efeitos negativos que a obesidade traz para a saúde e para a vida:

  • Câncer
  • Ataques Cardíacos
  • Diabetes tipo 2
  • Trombose nas Veias
  • Colesterol Alto
  • Esteatose Hepática
  • Pressão Alta
  • Problemas Respiratórios
  • Problemas nos Ossos
  • Problemas nas Articulações
  • Hérnia
  • Mobilidade Limitada
  • Infertilidade e Gravidez de Risco
  • Aumento Excessivo de Suor
  • Depressão
  • Baixa Auto-Estima
  • Menor Expectativa de Vida

Papel da Atividade Física na Prevenção e Controle da Obesidade

Já sabemos que a causa direta da obesidade é o balanço calórico positivo, consequentemente, o balanço calórico negativo é a única forma de reduzir a gordura corporal.

Se o obeso tenta reduzir a gordura corporal assim como um individuo com tendência à obesidade tenta se manter com um peso ideal apenas com dieta, é até possível, mas muitas dessas dietas provocam além do emagrecimento uma grande perda de massa magra.

Desse modo a atividade física é um dos melhores recursos utilizados tanto na prevenção quanto no controle da obesidade, mantendo a massa magra.

Para a perda de gordura deve-se associar a atividade física diária com uma alimentação balanceada, já que o exercício físico otimiza o déficit de energia causado pela dieta.

Qualquer exercício físico promove, de maneira generalizada, a mobilização e oxidação de ácidos graxos de todas as áreas do corpo. Para tanto, deve-se manter o controle das variáveis importantes na prescrição de treinamento:

  1. Frequência
  2. Duração 
  3. Intensidade

Com a prescrição correta, o exercício físico é capaz de aumentar o gasto energético total diário de duas formas: primeiro pelo gasto induzido pelo exercício durante o treino e segundo pelo aumento da taxa metabólica de repouso que pode perdurar até 24 à 48h após a sessão de treino.

Quando o indivíduo obeso persiste em um programa de atividade física logo tem-se uma perda de peso moderada com:

  • Redução na Pressão Arterial
  • Aumento da Sensibilidade à Insulina
  • Melhora na Concentração de Lipídeos e Lipoproteinas

Além dos benefícios citados podemos incluir:

  • Aumentar a Expectativa de Vida
  • Dormir Melhor
  • Aumentar a Auto-Estima
  • Melhorar o Estado de Saúde Geral Físico e Emocionalmente
  • Entre Outros

Exercícios Indicados para Perda de Peso

Quem sofre com sobrepeso ou obesidade não pode praticar qualquer tipo de esporte. Deve optar por aqueles que não causem problemas para as articulações e para os músculos.

É importante saber quais atividades são mais propícias e como executá-las.

Para tanto, há a necessidade de consultar um profissional da educação física e ter seu acompanhamento, desse modo evita-se problemas decorrentes da prática dos exercícios para pessoas obesas.

Os exercícios mais indicados são os que envolvem grandes grupos musculares, pois apresentam um gasto calórico significativo.

Assim como associar exercício aeróbico com exercício de força se torna uma estratégia para otimizar a perda de massa gorda durante a restrição energética.

Entre os exercícios mais buscados e até recomendados por médicos são:

E se for possível para o individuo alternar semanalmente esses três, é ainda melhor, pois além de ter estímulos diferentes que não o façam cair no tédio e acabar desistindo, cada um desses estímulos promovem gastos energético de forma diferente.

Abaixo citamos alguns exemplos de como realizar algumas dessas atividades.

1) Musculação

Promove ganho de massa muscular, o que aumenta a queima de gordura e promove um gasto metabólico por mais tempo, além de prevenir impacto nas articulações já que os exercícios são realizados em bases estáveis e aumentando da resistência anaeróbia.

2) Caminhada

Promove ganho de resistência aeróbia, mas para isso precisa ser uma caminhada contínua por no mínimo 30 minutos. Há um “baixo” impacto nas articulações e é um excelente exercício para o coração.

3) Hidroginástica

Promove ganho de tônus muscular, não há qualquer impacto e auxilia na melhora da respiração.

4) Pilates

Também promove o ganho de força, flexibilidade e mobilidade, o que contribui para um maior gasto energético no metabolismo basal por fortalecer os músculos e não causar impacto nas articulações.

5) Ciclismo

Exercício aeróbico que também promove um gasto energético durante a prática com nenhum impacto para as articulações.

6) Treinamento Funcional

Hoje é um dos mais citados para diversos grupos, entre eles o de obesos.

É uma alternativa para o ganho de força, resistência, flexibilidade e equilíbrio em um treino personalizado que melhora os movimentos motores e de quebra auxilia no emagrecimento.

Os exercícios não precisam ser complicados e muitos requerem apenas o peso corporal.

Como utilizam vários grupos musculares ao mesmo tempo movendo o corpo em várias direções favorecem o gasto energético alto fazendo com que o metabolismo se mantenha elevado mesmo após o término da sessão de treino.

Qualquer um dos treinamentos, melhor se associados, devem ser executados de 3 a 5 vezes por semana.

Podendo a intensidade ser 60 a 80% da frequência cardíaca máxima com uma percepção subjetiva de esforço de leve a moderada para os exercícios aeróbicos e com pouca carga e muitas repetições para os exercícios de resistência e força.

O importante é não ficar parado. Qualquer movimento que uma pessoa sedentária comece já traz benefícios para saúde, como por exemplo atividades do dia a dia:

  • Subir escadas ao invés de usar o elevador;
  • Parar o carro uma quadra antes do destino e ir caminhando;
  • Fazer os afazeres domésticos;
  • Dentre outras atividades.

Mas ao buscar uma redução de gordura é imprescindível que as atividades gastem mais energia que a ingerida na alimentação. E assim, necessitamos do exercício físico regular e ideal para cada pessoa.

Há alguma contraindicação ou restrição?

Antes de qualquer coisa é necessário pensar em quem vai fazer o exercício, quais as patologias adquiridas devido à obesidade e qual o nível de condicionamento desse indivíduo.

Na maioria das vezes é um indivíduo sem qualquer condicionamento e com problemas articulares e de pressão alta que são os mais comuns entre os obesos.

  • Indivíduos obesos tem sobrecarga articular por sustentar o próprio peso, portanto, é recomendado que se evite atividades com grande impacto.
  • Normalmente possuem um quadro de hipertensão arterial instalado, portanto, recomenda-se a aferição da pressão arterial antes, durante e após a atividade física.
  • Obesos mórbidos são desmotivados em relação a atividade física, portanto, nesses casos, é mais importante a aderência a uma atividade do que pensar em intensidade e volume de treinamento.

Conclusão

Não devemos encarar a obesidade apenas como um problema estético e sim como um grave distúrbio de saúde que reduz a expectativa de vida e a qualidade da mesma.

Sabemos que o aumento excessivo da quantidade de gordura corporal contribui de forma decisiva para o aparecimento de inúmeras complicações físicas e emocionais.

Pessoas com graus de obesidade mais elevada não são adeptas da prática de atividades físicas.

Assim, é necessário o incentivo a prática de uma atividade que primeiramente lhe satisfaça do que inseri-la em um programa de exercícios sistematizado.

O importante para pessoas com qualquer grau de obesidade é sair da inércia. Mesmo que, inicialmente, não haja redução efetiva do peso, provavelmente haverá ganhos para a saúde.

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