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A maioria dos clubes e entidades esportivas contam com um departamento de treinamento físico e reabilitação onde atletas trabalham de alguma forma com o treinamento funcional para aprimorar as funções em seu esporte. Cada vez mais atletas de diversas modalidades, que não possuem um suporte institucional, vem buscando formas de treino que possam melhorar sua performance esportiva, seja o atleta profissional ou o amador. 

Muitos estúdios e box de treinamento funcional dizem que a atividade praticada nesses lugares em si já irão favorecer o ganho de performance esportiva por trabalhar o corpo inteiro de diversas maneiras. Isso não é de todo errado pois treinar o organismo como um todo favorece qualquer atividade física. 

Porém há um aspecto extremamente importante que não é levado em conta por grande parte desses lugares que é a especificidade. Continue lendo e descubra que aspecto é esse!

Especificidade no treino 

Uma modalidade que costuma proferir que sua prática pode levar a ganho de performance esportiva para outros esportes é o CrossFit, mas na verdade o oposto parece ser mais verdadeiro. 

Vamos pegar um exemplo do atual tetracampeão mundial de CrossFit Mat Fraser

O CrossFit, como muitos sabem, mistura diversas modalidades esportivas como corrida, natação e LPO (levantamento de peso olímpico), além de utilizarem muitas habilidades físicas específicas que vêm do treinamento militar e do treinamento funcional como forma de competição. 

Uma das modalidades em que Mat Fraser é considerado insuperável e lhe dá tremenda vantagem sobres os demais atletas é o LPO. Olhando seu histórico esportivo é possível saber que ele praticou essa modalidade por 10 anos, antes de mudar para o CrossFit, com o objetivo de ir a uma Olimpíada. 

No LPO ele nunca chegou a ter marcas suficientes para ficar na elite no esporte, mas dentro do CrossFit suas marcas são consideravelmente melhores do que as dos demais atletas. Ele também era corredor e bastou alguns anos e acúmulo de experiência para conseguir ser consecutivamente duas vezes vice campeão e quatro vezes campeão. Por certo existem diversos fatores que o tornam um campeão, mas é indubitável que seu desempenho no LPO tenha sido um dos fatores determinantes. 

Outro exemplo que mostra que a especificidade do treino é o que será fundamental vem de um vídeo que viralizou na plataforma do Youtube. 

O vídeo mostra um embate de luta de braço entre o campeão mundial de força, mais conhecido por seu papel em Game of Thrones como “O Montanha”, Hafthòr Bjornsson, versus o multicampeão de luta de braço Devon Larrat

Nele é possível observar a enorme diferença de tamanho e porte físico entre um e outro, sendo Larrat bem menor, mas mesmo assim o atleta de luta de braço vence Hafthòr com muita facilidade. 

Podemos concluir que o treino específico de Devon na luta de braço faz com que ele tenha a técnica correta e saiba aplicar sua força de maneira muito mais eficaz fazendo com que sua aparente desvantagem diante de um oponente notavelmente mais forte não seja um obstáculo. 

Atletas amadores ou de recreação 

Indo para o mundo dos atletas amadores muita gente já se deparou com a seguinte situação: o indivíduo começa a praticar corrida, faz provas de 5k, 10k e até chegou a correr uma meia maratona. Daí essa pessoa resolver fazer natação e nota que o fôlego não corresponde a sua própria expectativa. 

Ou mesmo um outro indivíduo que corre e faz natação e é chamado para uma partida de futebol entre amigos e nota algo parecido, que apesar de se sentir bem e estar em boa forma física sente muito cansaço e desgaste durante e após o jogo. 

Mas porquê então uma pessoa muito bem condicionada não consegue ter bom desempenho físico em qualquer atividade? Com certeza a pessoa estar em ótima forma e praticar atividades regularmente já é um ótimo começo para praticar um esporte, mas as características e especificidades de cada modalidade esportiva fazem com que precise haver treinos direcionados para cada uma delas. 

Alta performance esportiva X Ganho de performance esportiva

Então poderíamos questionar: “então devemos fazer apenas treinos específicos para um determinado esporte e abandonar outros tipos de treino?” Essa resposta vai depender do momento em que você se encontra como atleta e a relação que chamo de tempo/benefício de treino. 

Explicando para um praticante que deseja se tornar um profissional, quanto mais tempo ele se dedicar a práticas específicas, maior ganho de performance esportiva ele terá, então seu tempo/benefício dependerá sempre mais para a especificidade. 

Agora se sua intenção for apenas recreativa ou competições amadoras, porém com intuito de melhorar cada vez mais e ultrapassar metas, mas sempre focado mais na saúde do que no desempenho, então seu tempo/benefício deve ser mais moderado e equilibrado com atividades mais diversas. 

Portanto se o objetivo do praticante é tornar-se profissional o ideal é fazer aulas com um treinador profissional do esporte e que seja especialista da sua modalidade. 

Já se o objetivo é tornar-se um bom esportista, mas sem intenções de competições profissionais, o praticante deve, além de treinar seu próprio esporte, fazer uma atividade de treinamento funcional que abranja também suas necessidades de performance esportiva.

Temos que ter em mente que esporte de alto rendimento a nível profissional é potencialmente muito lesivo e esse tipo de atleta está mais preocupado com seus resultados do que com a própria saúde. É possível realizar um bom treinamento funcional com grupos reduzidos onde o professor consiga abranger exercícios que supram as necessidades gerais para cada esporte.

Não é necessário para o não profissional buscar um treinador pessoal somente para isso. É possível realizar um bom treinamento funcional com grupos reduzidos onde o professor consiga abranger exercícios que supram as necessidades gerais para cada esporte. 

Treinamento em grupo 

Para criar treinos mais abrangentes e que supram as necessidades de um grupo homogêneo durante uma prática de treinamento funcional devemos realizar alguns estudos dos esportes que os alunos praticam e colher outras informações relevantes.

Vamos aqui pegar os 10 esportes mais populares e ver quais conseguimos agrupar de uma maneira que possamos criar treinos que possam beneficiar cada atleta mesmo praticando modalidades diferentes.

Segundo dados estatísticos do “Atlas do Esporte no Brasil”, os esportes mais praticados no Brasil são: 

  1. Futebol – 30,4 milhões de praticantes;
  2. Vôlei – 15,3 milhões;
  3. Tênis de Mesa – 12 milhões;
  4. Natação – 11 milhões;
  5. Futsal – 10,7 milhões;
  6. Capoeira – 6 milhões;
  7. Skate – 2,7 milhões;
  8. Surfe – 2,4 milhões;
  9. Judô – 2,2 milhões;
  10. Atletismo – 2,1 milhões. 

É no mínimo curioso o Tênis de Mesa estar em terceiro lugar, mas estamos falando aqui tanto de atletas amadores quanto profissionais e também os que o praticam de forma recreativa.

Daí se pensarmos na quantidade de casas, condomínios, clubes e tantos outros lugares em que vemos uma mesa de “pingue-pongue” sabemos o porquê desse esporte ser tão popular.

Para efeito deste artigo iremos colocar a corrida de rua no lugar de atletismo, que é o mais popular dentro da modalidade.

 Agora precisamos saber:           

  • Análise biomecânica geral dos movimentos esportivos;
  • Saber se é um esporte mais de resistência e/ou explosão;
  • Se é mais ou menos intervalado;
  • Se há posturas fixas;
  • Se há mais trabalho de MMSS, MMII ou ambos;
  • Quais os grupos musculares mais recrutados. 

Cada esporte possui dezenas, se não centenas, de movimentos específicos e não caberia aqui fazer uma avaliação detalhada de cada uma delas, isso ficaria para artigos mais específicos. Aqui nós desejamos apenas saber quais os principais movimentos e como eles acontecem. 

Destrinchando a modalidade esportiva 

Vamos pegar um esporte como o vôlei por exemplo, o segundo mais popular. 

Primeiro destrinchamos os principais fundamentos: 

  • Saque;
  • Passe;
  • Levantamento;
  • Ataque;
  • Bloqueio;
  • Defesa. 

Depois analisamos o movimento e postura básica em que cada um desses fundamentos são realizados: 

  • Agachado com braços estendidos à frente para recepção;
  •  Semi-agachado ou em pé (às vezes com pequenos saltos) para passe e braços estendidos para cima;
  • Salto alto e braços estendidos para cima para bloquear;
  • Salto com ou sem deslocamento e braço de ataque realizando forte flexão para atacar;
  • Saque em posição estática pode ou de maneira similar ao ataque com salto e explosão na batida da bola. 

Sabemos também que nos momentos de saque e ataque há forte explosão muscular e na recepção e passe há maior ênfase na postura. Também sabemos que há um intervalo considerável entre uma jogada individual e outra pois a bola roda por duas equipes e por todo o time até retornar. Podemos assim observar que o vôlei é um esporte de explosão, de intervalos entre jogadas e permanência postural entre elas (intervalo entre jogadas), predomínio tanto de MMSS quanto MMII e que a musculatura da cintura escapular é a mais recrutada. 

Dentre os esportes citados na lista Top 10 o único que mais se assemelha em relação a essas características é o tênis de mesa. Agora faríamos a mesma análise com esse esporte, pegamos as diferenças que são fundamentais e então podemos  adaptar o treino a um grupo que possua atletas das duas modalidades. Apesar de não estarem na lista dentre os mais populares, o tênis de quadra, vôlei de praia, basquete e handebol também poderiam entrar nesse grupo. 

Voltando para nosso exemplo do tênis de mesa e vôlei: 

No vôlei os MMSS realizam primordialmente movimentos de:

  • Extensão de ombros com cotovelos estendidos (manchete);
  • Abdução de ombros e extensão de cotovelos (toque/levantamento);
  • Extensão e abdução de ombros e extensão de cotovelos (bloqueio)
  • Abdução seguido de flexão e rotação interna de ombro (saque e ataque).

Enquanto no tênis de mesa os principais movimentos são:

  • Abdução de ombro e extensão de cotovelo seguida de adução e rotação interna de ombro e flexão e pronação de cotovelo (forehand);
  • Adução e rotação interna de ombro e flexão de cotovelo seguido de abdução e rotação externa de ombro e extensão e supinação de cotovelo (backhand);

Nas pernas uma das grandes diferenças é que no tênis de mesa o deslocamento é muito curto e rápido além de basicamente lateral. O que também tem de entre de semelhança entre os esportes é a permanência na postura semi-agachada enquanto aguarda sua jogada.

Montando os treinos

  • Exercícios de agachamento combinados com movimentos de MMSS (com halteres, elástico e Kettlebell entre outros);
  • Agachamento seguido de saltos;
  • Saltos laterais;
  • Deslocamento lateral com miniband;
  • Corda naval reproduzindo os movimentos esportivos dos braços.

Enfim, todos esses exercícios com pequenas adaptações e ênfase nos movimentos específicos podem ser aproveitados tanto para tenistas de mesa quanto para jogadores de vôlei e outros esportes como os citados anteriormente. 

Existem exercícios do treinamento funcional que já são prontos para o esporte como o burpee. Imagine o atleta de vôlei que dá um “peixinho” para fazer uma defesa e precisa levantar rapidamente para um bloqueio ou passe. 

Os outros esportes 

Agora quais outros dos esportes da lista top 10 possuem características semelhantes de MMSS ou MMII? Em relação ao vôlei e tênis de mesa, o futebol e o futsal realizam movimentos similares de pernas com o acréscimo dos tiros de corrida. A natação realiza movimentos similares de braços porém como foco em resistência.

Agora quais outros esportes podem ser agrupados com características similares? O skate e o surfe necessitam de equilíbrio em uma plataforma altamente instável, porém o surfe também requer muito trabalho de MMSS para remar enquanto o skate precisa de explosão nas pernas para impulsão. A capoeira e o judô são esportes de luta, mas pouco têm em comum. A capoeira tem predomínio nas pernas, mas não tem intervalo, seus movimentos são constantes e em todas as direções e com enormes amplitudes tendo os braços sendo mais utilizados para ritmo e apoio para certos golpes. 

No judô as pernas se movem constantemente e em todas direções, mas de forma cadenciada quase como pequenas caminhadas realizando movimentos de explosão nos ataques enquanto os braços são mais recrutados para resistência ao segurar o oponente antes de atacá-lo. A capoeira se beneficiaria muito de exercícios que priorizam a Pliometria com muitos saltos e apoio unipodal enquanto no judô um trabalho mais voltado para força nas pernas, braços, abdômen e preensão de mãos seria mais indicado. 

Conclusão 

Já deu para ter uma boa noção de como podemos trabalhar vários tipos de esporte num mesmo treino e assim conseguir um ganho de performance esportiva dos praticantes. Assim como já conseguimos ter o raciocínio para montar treinos bem específicos para cada esporte bastando apenas estudar bem cada caso. 

O profissional que irá conduzir um treino, seja educador físico ou fisioterapeuta esportivo, necessita apenas utilizar seus conhecimentos de biomecânica, ter repertório de exercícios e estudar os movimentos esportivos da modalidade de cada modalidade que será trabalhada. Ou seja, é preciso apenas de estudo e criatividade.