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Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: Tratamento Conservador Através de Exercícios

A doença pulmonar obstrutiva é um problema muito comum no Brasil, onde cerca de 2 milhões de pessoas por ano podem ser acometidas por esta enfermidade.

O que nem todos sabem, é que a prática de exercícios físicos pode auxiliar para este tratamento, cooperando então para a melhora dos sintomas, além de fortalecer o corpo todo.

Neste texto apresentarei a vocês um resumo de um estudo elaborado para verificar os resultados obtidos em artigos, relacionados com os benefícios dos exercícios resistidos sobre a melhora funcional e de qualidade de vida dos enfisematosos, sendo estes os benefícios adquiridos através do exercício resistido

O que é Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica?

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A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), se caracteriza pela obstrução ou uma limitação do fluxo aéreo, o enfisema pulmonar e a bronquite crônica definem, de acordo com sua gravidade, a insuficiência ventilatória obstrutiva, que apresenta progressão lenta e irreversível, conduzindo a uma hiperinsuflação pulmonar, onde os músculos inspiratórios ficam em desvantagem mecânica, levando a fraqueza dos mesmos. Além disso, o indivíduo passa a respirar em altos volumes pulmonares próximos a capacidade pulmonar total.

No Brasil, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica pode atingir 15% da população e, há mais de quatro décadas, vem ocupando o 4° e a 7° posição entre as principais causas de morte nos últimos anos. Já nos Estados Unidos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 14 milhões de americanos tenham DPOC e, esta é a quarta causa de morte nos Estados Unidos. Atualmente a OMS pressupõe que em 2020, a DPOC seja a doença mais prevalente do mundo, ocupando a terceira causa de morte, com 2,75 milhões de óbitos por ano, sendo que 40 mil morrem no Brasil.

O fumo é a principal causa da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, sendo que 15% dos fumantes apresentam a doença e cerca de 90% dos indivíduos que desenvolvem a doença eram fumantes. Identificam-se a existência de outras causas como fatores ambientais, ocupacionais, hiperresponsividade brônquica e deficiência da enzima alfa 1-antitripsina, que protege o parênquima pulmonar da destruição das pontes de elastina.

A bronquite crônica, é definida por um aumento das secreções brônquicas (hipersecreção), em pelo menos, três meses por ano durante dois anos consecutivos, afastando outras causas capazes de produzir expectoração crônica. A hipersecreção de muco decorre, principalmente, de alterações patológicas nas vias aéreas centrais que podem ocorrer antes mesmo que seja possível detectar alterações no fluxo aéreo.

O Enfisema Pulmonar é uma doença respiratória grave que se desenvolve geralmente em fumantes. A doença leva à diminuição da elasticidade dos pulmões e causa um comprometimento dos bronquíolos e alvéolos, todas essas alterações levam a um desenvolvimento de um quadro de dispneia.

O enfisema costuma ser bilateral difuso e simétrico, pode ser assintomático e apresentar lesões de dimensões variáveis e o padrão de diagnóstico é anatômico, obtido por uma tomografia de tórax. A gravidade da doença é avaliada pela presença de sintomas crônicos.

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Tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica Através de Exercícios

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Um componente importante no tratamento do Enfisema Pulmonar é a Reabilitação Pulmonar (RP), que atualmente engloba inúmeros recursos e métodos de treinamento físico em geral e muscular respiratório.

O principal objetivo da reabilitação é maximizar a independência funcional do indivíduo em suas atividades de vida diária (AVDs), avaliar e iniciar, quando apropriando, o treinamento físico para aumentar a tolerância ao exercício, encorajar o gasto de energia de forma eficiente, proporcionar sessões educativas, diminuir os sintomas e promover uma qualidade de vida para os pacientes portadores de incapacidades decorrentes de problemas respiratórios.

O treinamento dos músculos periféricos, especificamente, é considerado um componente essencial de um programa de RP em pacientes com enfisema pulmonar, que pode reduzir a fraqueza muscular periférica e melhorar a capacidade ao exercício gradativamente. Treino de força, ou seja, treinamento contra resistência, treinamento resistido ou musculação, são termos designados para descrever diversos meios de treinamento de força, resistência ou potência muscular.

O treinamento resistido vem sendo descrito como forma benéfica para promover melhorias nas disfunções musculoesqueléticas provocadas pela DPOC em portadores da mesma. Baseado em resultados dos estudos que avaliaram o treinamento resistido para todo o corpo em pacientes com enfisema, sabe-se que o exercício resistido provoca diferentes vantagens sobre outras formas de treinamento, o que indica que o exercício resistido deveria ser incluso num programa completo de reabilitação desses pacientes.

Na atualidade o exercício resistido tem se tornado parte dos programas de reabilitação fisioterápica, objetivando a prevenção de doenças relacionadas ao sedentarismo e doenças adjacentes, bem como objetiva a reabilitação de pessoas acometidas por diversas patologias como o enfisema pulmonar sendo a principal vantagem, o condicionamento musculoesquelético. O exercício resistido tem como característica promover estímulos para formação de massa óssea, além de, proporcionar melhorias na qualidade de vida desses indivíduos dentre outros benefícios associados ao exercício.

Os equipamentos utilizados durantes as sessões fisioterápicas permitem a regulagem das sobrecargas a serem utilizadas de acordo com o nível de aptidão do paciente. Com relação à segurança para o sistema musculoesquelético, os exercícios resistidos, por permitirem o controle das principais variáveis de treinamento, promovem a atenuação dos fatores de risco para lesões como acelerações desacelerações bruscas, torções, impacto, trauma direto e risco de quedas. Esse controle tem feito com que esta modalidade seja extremamente recomendada.

Avaliando um Paciente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

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Para se traçar um plano de tratamento, é necessária uma avaliação fisioterápica inicial, colhendo dados dos pacientes e de sua rotina detalhadamente e um exame físico minucioso. A avaliação respiratória inclui a verificação dos sinais vitais, oximetria de pulso, ausculta pulmonar, analise dos movimentos torácicos, uso de musculatura acessória, presença de edema periférico, presença de tosse e escarro e habilidade de falar uma frase completa sem precisar interromper para respirar.

O paciente também deve ser avaliado quanto à presença de outras doenças cardiovasculares, depressão, ansiedade, perda de peso, osteoporose, fraqueza e disfunção muscular.

Para que um programa de exercícios seja instituído é necessário avaliar força, flexibilidade, marcha, postura e limitações ortopédicas e musculoesqueléticas. Uma avaliação das AVDs é importante para avaliar a quantidade de esforço usado pelo paciente em sua rotina.

Durante as sessões fisioterápicas, o exercício é o centro da reabilitação, com exercícios de endurance dos músculos dos MMII são o foco principal, exercícios com caneleiras, faixas elásticas ou dispositivos mecânicos. A intensidade do exercício deve ser aumentada conforme a tolerância do paciente. Os exercícios resistidos aumentam a força dos MMII, se tornando muito importante, melhorando o desempenho do paciente durante suas AVDs, além de ajudar reduzir o risco de queda.

Quando Realizar o Treinamento de Força no DPOC?

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O estudo sugere que o treinamento de força seja realizado de duas a três vezes por semana, com duas a três séries de oito a dez repetições, utilizando cargas que progridam de 50% a 85% da avaliação de 1-RM, com intervalo de repouso entre as séries, podendo ser utilizados aparelhos de musculação comercialmente disponíveis.

Ficou demonstrado que com a utilização do exercício resistido houve melhora na capacidade dos músculos de MMII, ganho de força, aumento da capacidade de exercício, melhora na qualidade de vida e redução da dispneia, em comparação ao treinamento aeróbico isolado.

O estudo cita que o treinamento para hipertrofia muscular não resultam no aumento da resistência, porém, o treinamento resistido com peso para portadores de DPOC, ainda que não sejam bem definidas é descrita por autores como benéfico, aumentando a força muscular periférica e melhorando a qualidade de vida quando contendo dois a três dias de treino por semana, uma a três séries de repetições para cada grupo muscular escolhido, oito a doze repetições, intervalo de dois a três minutos entre as séries; intensidade de 50 a 85% de 1RM e ajuste da intensidade a cada três ou quatro semanas.

Conclusão

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A conclusão do estudo sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, é que o exercício resistido é eficaz dentro de um programa de reabilitação, uma vez que melhoram a funcionalidade e aumento de força muscular periférica em pacientes acometidos pelo enfisema pulmonar melhorando a dispneia e qualidade de vida.

Sendo assim, praticar exercícios para o tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é vantajoso, pois melhora a capacidade funcional ao exercício, aumentando consequentemente a tolerância aos esforços. A utilização de uma carga específica no treinamento resistido ainda não são bem definidas, sendo necessária a realização de novos estudos referentes ao tema, visto que a literatura é escassa.

Referência

http://fisiosale.com.br/assets/os-benef%C3%ADcios-do-exerc%C3%ADcio-resistido-no-dpoc—enfisema-pulmonar.pdf acessado em 05/02/2018

Written by Cleiton Borges dos Santos

Cleiton Borges dos Santos

Graduado em Fisioterapia pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP, possui Pós graduação no método Pilates
Treinamento funcional e Fisiologia do exercício aplicado à Clínica e ao esporte pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP.
Instrutor da VOLL no curso de Capacitação no Método Pilates.
Proprietário e instrutor na Clínica Boa Forma - Atividade Física Supervisionada, há 8 anos.

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