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Avaliação e Treinamento para alunos com Patologias no Quadril

A articulação do quadril tem amplitude de movimento bem ampla. Essa articulação, chamada de coxofemoral, é formada pelo encaixe da cabeça do fêmur no acetábulo do osso do quadril. Esse é formado pela junção de três ossos: ísquio, púbis e ílio. Nós temos dois ossos do quadril que se articulam entre si pela sínfise púbica (parte anterior dos ossos) formando a pelve.

As principais funções dos ossos do quadril ou pelve são: sustentação, estabilização do tronco, manter o centro de gravidade (equilíbrio), proteger o sistema reprodutor e o sistema digestivo inferiormente. Continue lendo para entender!

Lesões que podem acometer o quadril

A articulação do quadril além de fazer a junção da parte superior com a inferior do corpo, suporta todo o peso corporal e permite que o corpo se mova. Por ser uma articulação de carga, está sujeita a muitas forças mecânicas de diversas naturezas, que podem provocar diferentes tipos de lesão, patologia e desequilíbrio.

Estas lesões podem ser intra e extra-articulares. Na maioria das vezes, são lesões extra-articulares e referem dor no quadril, mas não comprometem diretamente a região, sendo realizado um tratamento conservador.

Assim, quando um aluno refere dor no quadril, deve ser realizada uma avaliação para precisar se a causa é intra ou extra-articular. E dependendo do caso, há necessidade de intervenção médica e posteriormente fisioterapêutica, para só após essas intervenções o aluno voltar aos cuidados do professor de educação física.

Desequilíbrios que podem afetar o quadril

Em outros casos existem desequilíbrios musculoesqueléticos que causam dor que, com uma boa avaliação, poderão ser corrigidos com exercícios terapêuticos que devem num primeiro momento serem executados isoladamente para depois serem incorporados a rotina de treino.

E para qualquer indício de dor pelo aluno, após avalia-lo, devemos atentar para quais exercícios prescrever, como executá-los e os cuidados que devemos ter na sua prática, bem como, saber se compete apenas a nós professores de educação física ou na melhor das hipóteses e para sanar quaisquer dúvidas encaminhá-lo para exames e consulta com um médico especialista, principalmente se a dor persistir e se agravar.

Além, disso, devemos ter esse cuidado, ou seja, não deixa a dor agravar, pois poderemos aumentar uma lesão ou levar a uma lesão onde não existia. Por isso temos que ser prudentes na aplicabilidade dos exercícios.

Como avaliar um aluno que chega com dor no quadril

Uma boa avaliação é imprescindível para qualquer tratamento ou treinamento. É a partir da avaliação que teremos as coordenadas por onde começar e onde queremos chegar.

E, enquanto professores de educação física, temos que aprender a sermos bons observadores. Desde um primeiro contato com o aluno temos que avaliá-lo mesmo sem ele saber. Isso nos mostra padrões de movimento que podem estar sendo influenciados por uma patologia ou que levem a esta, como por exemplo, um desequilíbrio muscular. Nesse primeiro momento podemos avaliar a sua marcha, se está sentado como se levanta da cadeira, como desce ou sobe escadas entre outras atividades.

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A anatomia complexa do quadril torna o diagnóstico difícil, mas é necessário ter um parecer para o aluno, pois lesões no quadril implicam em longos períodos afastados dos treinos, necessitando de reabilitação intensiva antes do retorno as atividades.

Como o quadril faz a ligação das partes superior e inferior do corpo é uma estrutura importante para os movimentos do corpo e para a postura do indivíduo. Assim, devemos prestar atenção nessa região e avalia-la quando há desvios posturais na coluna em toda sua extensão, o que influencia a posição e padrões de movimento da região do quadril. E para o inverso também é necessário avaliar, ou seja, por ter um papel de anulação e transferência de forças a articulação do quadril também pode estar envolvida em lesões, patologias e desequilíbrios de membros inferiores e superiores.

Passo a passo da avaliação

Num primeiro momento, como dito anteriormente, a observação do nosso aluno é fundamental antes mesmo dele saber que está sendo avaliado, pois nessa hora seus movimentos são os mais naturais possíveis. Esse primeiro achado pode ser confirmado com a avaliação propriamente dita posteriormente.

Também saber seu histórico clínico de lesões (musculares, ósseas e articulares) mesmo que não sejam no quadril, se torna importante ao passo que podem ter relações diretas ou indiretas com desequilíbrios nessa área que levam a lesões e patologias na mesma.

Além disso, a ocupação profissional, atividades de lazer e esportivas influenciam tanto na postura como em padrões de movimento que podem gerar desequilíbrio no quadril. E mais uma vez, podem levar a um quadro patológico na região.

Na avaliação propriamente dita, temos que tocar no nosso aluno, fazer a palpação das estruturas, principalmente se este já refere dor. Nesse ponto, teremos a referência sobre o tônus muscular, pontos dolorosos e pontos gatilho e deformidades ósseas.

Com a palpação buscaremos também a referência de alguns pontos para analisar o alinhamento do quadril:

  • Espinha ilíaca ântero-superior;
  • Crista ilíaca;
  • Espinha ilíaca póstero-superior;
  • Trocânter maior do fêmur;
  • Tuberosidade isquiática.

Esses pontos, principalmente as espinhas ilíacas são importantes indicadores de patologias no quadril. Quando desalinhadas podem gerar desvios posturais, disfunções articulares, etc.

Desvios posturais X Dor no Quadril

Para relacionar o quadril com os desvios posturais, temos que realizar a avaliação postural estática e dinâmica. Na estática observamos as compensações que afetam os alunos, mas não percebemos sua influência no movimento. E é durante o movimento que percebemos os desequilíbrios causados direta ou indiretamente pela região do quadril e que devem ser corrigidos.

E não apenas na movimentação básica do aluno, como pedir que ele caminhe de um ponto a outro ou suba desça um degrau. Temos que avaliar todos os possíveis movimentos que a articulação pode executar. Aqui há a necessidade da avaliação da mobilidade articular com testes ativos e passivos para analisar se nosso aluno consegue realizar os movimentos que a articulação permite e em toda sua amplitude.

Lembrando os movimentos do quadril: flexão, extensão, adução, abdução, rotação interna, rotação externa e circundação

Nos testes ativos, o próprio aluno executa os movimentos acima. Aqui poderemos perceber a ativação muscular, se existe fraqueza ou desequilíbrios na região. Só temos que tomar cuidado com as compensações, por exemplo, quando há fraqueza da musculatura e o indivíduo movimenta outra região como a coluna lombar.

Nos testes passivos, eliminamos a influencia muscular, pois é o avaliador que aplica o movimento nos segmentos. Nesse momento, conseguimos determinar se existe comprometimento das estruturas articulares e ósseas. Estes testes anulam os ativos.

Diferenças entre as lesões ósseas e as intra-articulares

Devemos ter noção e saber diferenciar lesões ósseas de lesões em parte moles intra-articulares. E também lesões intra-articulares e lesões peri-articulares.

As lesões intra-articulares mais comuns são: síndrome do impacto femoro-acetabular, lesão do lábio acetabular, lesão do ligamento redondo e lesões condrais.

As lesões peri-articulares mais comuns são: síndrome do piriforme, síndrome dolorosa trocantérica, síndrome do ressalto (Snapping Hip), síndrome do glúteo médio e o “Hip Pointer”.

Através dessa análise, poderemos saber se nosso aluno poderá continuar com sua prática e modificar seu treinamento direcionando para seus desequilíbrios musculares ou se há necessidade de indicar a procura de um médico especialista para fazer um diagnóstico preciso e exames de imagem, principalmente se houver incapacidade funcional e as lesões forem intra-articulares.

A importância dos exercícios para dor no quadril

O sedentarismo é o maior amigo de diversas patologias, e não menos que das relacionadas com a região do quadril.

O corpo foi feito para se movimentar. Os exercícios, quando bem realizados, ajudam não só a aliviar a dor como também auxiliam no tratamento.

Alguns benefícios em se praticar exercícios para a dor no quadril:

  • Recupera a amplitude de movimento;
  • Melhora a flexibilidade;
  • Beneficia o alinhamento postural:
  • Melhora o condicionamento físico;

Em alguns casos os exercícios são suficientes para tratar a dor no quadril, em outros casos eles servem como coadjuvantes para outros métodos.

Quanto mais precoce a intervenção terapêutica, maiores são as chances do desequilíbrio se corrigido antes de levar a uma lesão ou patologia e se está já estiver instalada que não progrida.

Tanto quem pratica esporte ou quem é sedentário precisa reconhecer a importância do quadril. Os músculos do quadril controlam os mecanismos do joelho. Isso significa que a musculatura do quadril for fraca, não só a região do quadril é afetada como os joelhos têm maiores chances de sofrerem uma lesão.

Portanto para que o quadril possa exercer suas funções de maneira eficiente, tanto no dia a dia quanto em atividades esportivas, é necessário que a musculatura em seu entorno esteja fortalecida. Além disso, com musculatura fortalecida temos uma articulação protegida e se a articulação estiver protegida com os músculos fortalecidos, os riscos de lesão são menores e a maioria das dores sanadas. Daí a importância de incluir numa rotina de treino exercícios direcionados para o quadril.

Como decidir quais exercícios passar

Para saber quais exercícios elaborar para o aluno, temos que saber a causa da dor. Além disso, temos que ter o feedback do aluno quanto a sua possibilidade de movimentos e seu quadro de dor, mas nesse caso é necessário ter cautela, mas mais que isso temos que desafiar o aluno, pois muitas vezes existe o medo de executar certo exercício mesmo que em amplitudes pequenas pelo fato de achar que vai sentir dor. E se sentir dor, temos que ter a sensibilidade de readaptar o exercício ou não executá-lo.

Os exercícios devem ser encarados como parte de um tratamento e não de um treinamento em um primeiro momento, portanto são exercícios terapêuticos.  Devem buscar o equilíbrio muscular entre agonista e antagonista, corrigir lateralidades e inclinações pélvicas e outras alterações mecânicas que interferem no movimento, provocam fadiga precoce e dor. Logo depois de sanado o problema, esses exercícios devem ser incorporados ao treinamento, mas mantendo sua característica terapêutica para que haja adaptação e posteriormente progressão.

Como escolher o exercício mais eficaz

Para que o quadril possa exercer com eficiência suas funções, sejam em exercícios físicos ou nas atividades diárias é necessário que os músculos envolvidos na movimentação e na estabilização da região estejam fortalecidos e de maneira harmônica além de melhorar sua propriocepção.

Ou seja, os exercícios terapêuticos são exercícios corretivos, com padrões de movimento eficientes. Temos que ajudar o aluno a perceber que muitas vezes seu padrão de movimento habitual não é o correto, mas muitas vezes é compensatório para inibir a dor, e dessa maneira lhe fornecer a melhor estratégia corretiva.

Temos que pensar em movimentos que geram estabilização central ajudando o aluno a ter ganhos de força, controle muscular, resistência, com o objetivo de manter a funcionalidade do corpo. Treinar a região do core que estabiliza a pelve e a coluna durante os movimentos, além de manter um adequado alinhamento da coluna gerando força do tronco para os membros.

Pensar em exercícios de baixo impacto e que proporcionem movimentos que visam atingir diversos grupos musculares em congruência com a musculatura do quadril.

Exercícios indicados para dor no quadril

Poderão ser feitos isolados ou em conjunto com o treinamento dependendo do caso. Exercícios de fortalecimento muscular são indicados podendo ser feitos em modalidades como a musculação, Pilates, treinamento funcional e na água como a hidroginástica.

Alguns exercícios:

Prancha: estimula e fortalece o “core” (musculatura do centro do corpo que envolve a região abdominal, lombar e pélvica).

Deite com o abdômen para baixo, apoie os cotovelos e antebraços no solo deixando-os alinhados com os ombros. Suba o corpo mantendo apoio e apoie-se também nas pontas dos pés. Mantenha o corpo ereto e a contração da musculatura abdominal. Fique nessa posição de 10 a 30 segundos, podendo ficar mais tempo de acordo com seu condicionamento. Volte o corpo ao solo para recuperar. Pode repetir por 2 a 3 vezes.

Ponte: deitar de barriga para cima com os braços estendidos e os joelhos flexionados. Contrair o abdômen e glúteo e elevar o quadril mantendo-o suspenso por 10 segundos e retornar. Poderão ser feitas 2 a 3 séries de 5 a 10 repetições conforme a possibilidade do aluno.

Equilíbrio estático: feito com os pé descalços. Apoiar um pé no solo, flexionando o joelho da outra perna a fim de apenas tirar o pé do chão. Fixar o olhar a frente e manter a posição de 30 segundos a 1 minuto, tendo como objetivo distribuir a força de apoio em toda planta do pé e não deixar o quadril desnivelar. Poderá fazer num próximo momento com os olhos fechados. Em seguida poderá mudar o estimulo para propriocepção, utilizando outra superfície: almofada, colchonete, cama elástica, disco de equilíbrio, etc.

Equilíbrio dinâmico: com os pés descalços. Apoiar um pé no solo mantendo o apoio em toda a planta do pé. Elevar a outra perna com o joelho flexionado variando com flexão e extensão do quadril, podendo movimentar o braço oposto a perna que está elevada. Repetir umas 3 vezes a movimentação.

Abdução de quadril: deitar de lado. Elevar a perna que esta pra cima. Respeitar a amplitude de movimento do aluno. Conforme for fortalecendo, ir aumentando a amplitude. Fazer de 15 a 20 repetições de 2 a 3 séries. Mudar de lado e fazer com a outra perna.

Extensão de quadril: deitar de barriga para baixo com a testa apoiada nas mãos e virada para o solo. Pernas estendidas. Elevar uma das pernas estendidas e retornar ao solo. Fazer de 15 a 20 repetições e de 2 a 3 séries. Depois fazer com a outra perna.

Adução do quadril: deitar de lado com a perna de cima flexionada e o pé apoiado no chão a frente da perna de baixo, essa deverá estar estendida. Elevar a perna de baixo para o teto retornando a posição inicial. Fazer de 15 a 20 repetições e de 2 a 3 séries. Mudar o lado e fazer com a outra perna.

Perdigueiro: em seis apoios (muitos falam quatro apoios). Alinhar punhos na linha do cotovelo, joelhos na linha do quadril. Elevar perna e braço contrário estendidos fazendo com que o peso do corpo fique centralizado, ou seja, na mesma proporção para a perna e braço que estão no solo. Pode-se fazer 10 repetições deste exercício todo do mesmo lado e trocando para o outro. E posteriormente, alternar os lados, desde que se mantenha o alinhamento pélvico na troca.

Cuidados necessários para com um aluno com dor no quadril

  1. Pode haver compensações musculares durante o exercício para amenizar a dor;
  2. Prestar atenção na coluna lombar e joelhos que sofrem com essas compensações;
  3. Regiões como tornozelo e coluna lombar sofrem influência indireta do quadril;
  4. Trabalhar a mobilidade que geralmente é afetada pela dor pois o aluno tende a não movimentar a região dolorida;
  5. Dependendo da patologia evitar alguns exercícios no início. Estes podem causar muito desconforto para o aluno;
  6. Corrigir os padrões de movimentos do aluno. Muitas lesões e patologias surgem por movimentos repetitivos e errados tanto no dia a dia como na prática esportiva;
  7. Durante a realização do movimento, atentar para estalos seguidos de dor. Nesse caso, o exercício deverá ser readaptado ou extinto;
  8. Algumas lesões podem ser casadas por microtraumas de repetição. Esses microtraumas geram sobrecarga excessiva nos tecidos sem que eles tenham tempo suficiente de cicatrização. Portanto, se algum exercício causa dor, devemos atentar que se extinto ou readaptado num primeiro momento e se depois recolocado no treino continuar causando dor com este movimento devemos acender uma luz, pois poderá ter alguma disfunção que poderá ser óssea ou tecidos moles. Nesse caso, o médico deverá ser procurado em seguida;
  9. Dor muscular é uma coisa e dor articular é outra. Temos que ajudar o aluno a distinguir os tipos de dores. E se esta não melhora nem com repouso, massagem, remédio, novamente a procura pelo médico é fundamental pois pode estar surgindo uma lesão na área;
  10. Exercícios que aos olhos de quem não tem dor parecem simples e fáceis de executar, para quem tem dor podem ser complexos. Por isso a necessidade de ir conversando e tendo o feedback do aluno;
  11. Evitar exercícios com impacto como saltar ou correr. Em um primeiro momento, pós-avaliação, deverão ser evitados exercícios até mesmo como uma simples caminhadas até saber exatamente o que causa dor;
  12. Atentar para o sobrepeso que é inimigo número um das articulações;
  13. Escolha de calçados que deem o maior apoio possível distribuindo a pressão por toda a extensão do pé, limitando a pronação (rotação do pé);

Conclusão

O mais difícil para uma pessoa com dor, talvez seja entender que há a necessidade de se manter em movimento. Com os movimentos corretos e acompanhados de um professor capacitado manterá a musculatura adjacente a articulação fortalecida, bem como uma amplitude de movimento considerável, flexibilidade, etc.

Para o profissional da educação física, a fase da avaliação talvez seja a mais importante quando o aluno apresenta dor, principalmente quando ele não sabe que está sendo avaliado. Podemos a partir daí sugestionar uma possível causa da dor que deve ser confirmada com testes, palpação e até mesmo exames em casos mais difíceis de analisar.

Temos que ter o cuidado, enquanto professores, pois muitas vezes o aluno está com dor e não fala, para não perder o ritmo de treino. Falando apenas quando essa dor está exacerbada e causando um comprometimento maior. Por isso, devemos sempre pedir o feedback do nosso aluno sobre o treinamento e se há dores.

Para uma região como o quadril, temos que atentar para sua complexidade, onde grandes grupos musculares que são responsáveis por estabilizações e movimentos se inserem. Saber observar nosso aluno e seus padrões de movimentos. Se houver padrões incorretos, estes podem ser a causa primária da dor e futuramente levar a patologias.

Portanto, é necessário ter o conhecimento sobre posturas corretas e a biomecânica dos movimentos. E passar esse conhecimento para o aluno também, pois isso influenciará diretamente na sua funcionalidade.

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