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Periodização Do Treinamento: Como Montar Uma Periodização Em Blocos?

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Fala professores/alunos, tudo bem?

Continuamos o nosso bate papo sobre periodização do treinamento (PT). No último texto falei um pouco referente ao controle das cargas de treinamento. É fundamental entendermos a dinâmica de controlar as cargas de treinamento em um programa de PT de nossos atletas ao longo de uma temporada.

E uma forma barata, simples e amplamente reprodutível de se fazer. Isto é, utilizando a escala de percepção subjetiva de esforço que nos fornece graficamente o controle das cargas diárias de treinamento. Assim, atribui-se uma nota para a intensidade da sessão de treinamento x tempo total da sessão de treinamento.

Entretanto, esta não é a única forma de monitorar o treinamento e, por isso, farei um segundo post sobre controle das cargas de treinamento apresentando outras alternativas.

Mas e esse post?

Estaremos iniciando uma discussão referente aos modelos de Periodização de Treinamento mais utilizados por profissionais de educação física. E como primeiro modelo, estarei apresentando a Periodização em Blocos proposta por Verkhoshanski. Vamos lá?

Mudança de Paradigmas

musculação

Segundo Gomes (2009) três fases caracterizam bem a evolução dos modelos de PT:

  1. Desde a sua origem até a década de 50, quando Matveev criou o primeiro modelo de PT.
  2. Entre as décadas de 50 e 70, aparição de modelos de PT que questionavam o modelo clássico de Matveev.
  3. Década de 70 até os dias de hoje, cujo os modelos de PT passaram a ter uma grande evolução em conhecimentos.

Apesar disso, segundo Gomes (2009) os modelos contemporâneos se baseiam em quatro pilares para sua sistematização, sendo:

  1. Individualidade das cargas de treinamento justificada pela capacidade individual de adaptação do organismo.
  2. Concentração das cargas de treinamento da mesma orientação em períodos de curta duração e a necessidade de conhecer profundamente o efeito que produz cada tipo de carga de trabalho e sua distribuição no ciclo médio de treinamento.
  3. Desenvolvimento consecutivo de capacidades, utilizando o efeito residual de cargas já trabalhadas.
  4. Ênfase no trabalho específico de treinamento. As adaptações necessárias para a prática de alto rendimento com a realização na prática de cargas especiais.

O modelo de PT proposto por Matveev foi criado com base em apenas uma competição o qual só permitia apenas um peak de desempenho ao longo de uma temporada, o que não representava a real situação dos atletas.

Assim, tornou-se necessário criar modelos de PT que pudessem fornecer múltiplos peaks de desempenho ao longo da mesma temporada visando diferentes competições como campeonatos nacionais, mundiais e olímpiadas. Duas vertentes surgiram frente a isso, estudiosos que se baseavam ao modelo de PT proposto por Matveev e, uma segunda vertente que desconsiderava totalmente esse modelo.

Assim, o professor Yuri Verkhoshanki se tornou um dos maiores críticos em relação ao modelo de PT proposto por Matveev e acabou criando um modelo totalmente diferente do modelo clássico chamado de Periodização em Blocos (PB).

Conceituando Periodização em Blocos

periodização em bloco

Como o próprio nome já diz a Periodização Blocada permite que os atletas possam atingir múltiplos peaks ao longo de uma temporada. Para que isso aconteça, a organização das cargas de treinamento devem ser baseadas em três conceitos:

Programação

Determinação da estratégia de estruturação do que deve ser treinando e o processo como o treinamento irá ocorrer.

Organizacional

Realização prática do programa, considerando-se as condições reais e as possibilidades concretas do atleta.

Controle

Critérios estabelecidos previamente com o objetivo de informar periodicamente o nível de adaptação apresentado pelo atleta.

Processo de Treinamento

Como o nome já diz as cargas de treinamento são divididas em blocos caracterizados por grandes quantidades de carga sendo separados normalmente em três blocos distintos:

Bloco A: Aumento do potencial locomotor (objetivo da preparação física especial.

Bloco B: Aperfeiçoamento da habilidade de seu efeito no exercício competitivo (objetivo da preparação técnico-tática).

Bloco C: Nível elevado e seguro do nível competitivo (objetivos da preparação competitiva e psicológica).

Há de se salientar que não há obrigatoriedade de ter três blocos específicos, já que de acordo com as exigências e especificidades energéticas de cada modalidade esportiva, das respostas do organismo aos efeitos do treino, do calendário de competições, do objetivo concreto que se pretende obter, o ciclo de treinamento não precisa conter necessariamente os três blocos. Apesar disso, o bloco C sempre estará presente em todos os ciclos por ser o bloco de pré-competição.

O modelo em blocos é formado por uma concentração de cargas de treinamento direcionadas à melhora da força em dois ou mais blocos de treinamento a cada intervalo de dois meses e meio, mas apesar da exigência desse objetivo principal, as cargas de treinamento se direcionam também para o desenvolvimento de outros objetivos a fim de estimular efeitos de treinamento necessários.

Ainda, cada bloco não é feito de maneira isolada, mas como parte de um conteúdo geral de treinamento com um bloco se sobrepondo ao seguinte e assim sucessivamente, de acordo com o princípio de aproveitamento dos efeitos do treinamento.

Por exemplo, no bloco A, verifica-se um grande volume, o maior das fases de treinamento, que deve desestabilizar os níveis de desempenho adquiridos anteriormente, provocando um decréscimo físico, técnico e tático decorrente da fadiga e criando condições para adaptações posteriores.

Sua duração é de aproximadamente 12 semanas. No bloco B ocorre uma diminuição do volume de treinamento até níveis que permitam o aperfeiçoamento das capacidades físicas do atleta, preparando-o para o bloco C, onde se encontram as principais competições.

O gráfico abaixo ilustra um modelo de Periodização em Bloco:

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Adaptado de Cometti (1991).

É importante salientar que o modelo de Periodização Blocada é baseada no conceito de “Efeito Posterior Duradouro do Treinamento “ no qual a ideia é que os efeitos obtidos depois de sucessivas cargas de treino permanecem por certo períodos de tempo depois do fim do treinamento, ou seja, sessões de treinamento em um bloco concentrado criam bases condicionantes para o treinamento das demais capacidades dos atletas e para o aperfeiçoamento da técnica. Em outras palavras, o treinamento em blocos baseia-se no tempo em que o atleta ainda apresenta os efeitos do bloco de treinamento anterior.

Estudos que avaliaram a eficácia da Periodização Blocada mostraram aumentos significativos nas habilidades específicas de seus esportes. Pode-se sugerir que o conceito de Periodização Blocada oferece uma abordagem razoável para a preparação de atletas em esportes que exigem um número relativamente pequeno de habilidades motoras direcionadas, como saltar.

Na preparação de atletas que precisam se desenvolver e se destacar em um maior número de habilidades esportivas específicas, como em esportes de equipe, combate e resistência, a Periodização em Blocada não oferece o treinamento multilateral equilibrado que permita aos atletas obter uma ótima preparação atlética e desempenho máximo.

Conclusão

periodização em bloco

O modelo de Periodização Blocada de Verkhoshanski tem como principais objetivos a obtenção de múltiplos peaks por temporada e a elevação dos níveis de performance. Tal sistema caracteriza-se pela organização do treinamento nos conceitos de programação, organização e controle.

Normalmente a Periodização Blocada é ajustada para três blocos por temporada. E ainda, sugere-se que mais blocos podem ser utilizados de acordo com a modalidade a ser trabalhada.

Ainda, estudos mostram que a Periodização Blocada potencializa modalidades esportivas que exijam um número relativamente pequeno de habilidades motoras. Assim sendo, nós Profissionais de Educação Física devemos saber quando aplicar, para quem aplicar e como avaliar o desenvolvimento da temporada de seu atleta.

Referências
GOMES, Antônio Carlos. Treinamento Desportivo: Estruturação e Periodização. Artmed Editora, 2009.
BESSA DE OLIVEIRA, Artur Luís; SILVA SEQUEIROS, João Luis da; MARTIN DANTAS, Estélio Henrique. Estudo Comparativo Entre o Modelo de Periodização Clássica de Matveev e o Modelo de Periodização por Blocos de Verkhoshanski. Fitness & Performance Journal, v. 4, n. 6, 2005.
COMETTI, G. Le basi scientifique del potenziamento muscolare. Scuola Dello Sport, 23:9-17 , 1991.

Written by Matheus Oliveira

Matheus Oliveira

Mestrando em Ciências do Movimento Humano e Reabilitação - UNIFESP
Especialista em Fisiologia do Exercício Aplicada à Clínica - UNIFESP
Laboratório de Epidemiologia e Movimento Humano - EPIMOV/UNIFESP
Coordenador da WM - Treinamento Personalizado

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