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Lutas e Artes Marciais na Escola: O Ensino e as Possibilidades Pedagógicas

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A escola é para muitos o primeiro contato com o mundo exterior ao convívio restrito a família. E é nela onde inicia-se o primeiro contato com as brincadeiras e jogos em grupo. Entretanto alguns personagens que fazem o dia-a-dia escolar como, por exemplo, professores, pais, gestores, funcionários, alunos, entre outros. Atuar com lutas e artes marciais dentro da escola como parte do currículo um primeiro momento pode assustar, visto que é um tema pouco abordado e confundido muitas vezes com violência.

 No entanto, apesar de ser um assunto muito instigante, é pouco desenvolvido nas aulas de Educação Física escolar, muito porque os professores não têm conhecimento sobre como trabalhar este conteúdo nas aulas ou ainda se sentem inseguros por nunca tiveram a oportunidade de praticar ou mesmo conhecer uma arte marcial.

Outro motivo que podemos citar como limitador do trabalho dentro da escola com as lutas e/ou artes marciais, são os poucos estudos na área voltados para esta temática.

O trabalho com as lutas e as artes marciais vêm se justificando dentro do ambiente escolar de diversas maneiras. Temos como exemplo os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) de Educação Física que dentro dos blocos de conteúdo indicados para o trabalho na área, o termo “Lutas” é evidenciado como possibilidade de desenvolvimento.

Já na esfera social mais ampla (educação não formal) temos diversos veículos de mídia bombardeando a sociedade com estas práticas, como por exemplo: novelas (Fina-Estampa) seriados (Malhação), TUF (The Ultimate Fighter), UFC (Ultimate Fighting Championship) ambos os programas exibidos pela rede globo de televisão.

Academias de lutas e artes marciais espalhadas por vários espaços nas cidades, escolas de educação infantil com atividades extracurriculares de lutas e artes marciais para as crianças, também são indicativos da relevância do tema na sociedade.

Em trabalho realizado por Nascimento (2007) onde se buscou verificar as concepções dos professores de Educação Física sobre o conteúdo lutas nas aulas de Educação Física escolar, foram encontrados dois argumentos restritivos para o não trabalho com lutas/artes marciais nas aulas, foram estes: à falta de vivencia pessoal em lutas por parte dos professores e a preocupação com a violência que muitos julgaram intrínsecas as lutas/artes marciais.

A partir destas justificativas fica evidente a relevância do trabalho com as lutas nas aulas de Educação Física escolar, mas como realizar este trabalho? Tenho que ter experiência em lutas/artes marciais para poder desenvolver este conteúdo nas aulas? Não tenho materiais (tatame, luvas, espadas, bastões) como desenvolvo estas aulas?

 Lutas e Artes Marciais no Contexto Escolar

Lutas Marciais: Treino Escolar

Um dos pontos mais importantes na jornada de quem inicia o assunto luta/artes marciais é quebrar o rótulo de “Briga”. Portanto diferenciar “Briga” de “Luta” é extremamente importante.

É necessário a constatação de que onde existe “briga”, existe a violência e o ônus que isso implica, como por exemplo as punições previstas aos que incorrem nesse erro. Já as lutas, apresentam uma conotação diferente, são tratadas como bônus sempre, um medalhista, um campeão.

Precisamos também entender e saber distinguir o termo Lutas e Artes Marciais, visto que muitas vezes são compreendidos como sinônimos. O termo “Luta” pode ser identificado de diferentes maneiras. Como nos afirma Correia e Franchini (2010) o mesmo tem uma dimensão polissêmica, o qual possibilita uma diversidade de representações e significados.

Podemos citar como exemplo desta polissemia a utilização do termo quando nos referimos a lutas dos sem terra, luta de classes, luta dos trabalhadores, luta pelo direito das crianças, entre outros. Neste contexto a expressão “lutas” é genérica.

Já as artes marciais podem ser entendidas como um conjunto de técnicas corporais que visam à utilização especifica em situações de ataque e defesa, tendo muitas vezes aspectos filosóficos e religiosos no cerne de sua criação. Para Correia e Franchini (2010) a expressão “arte” nos remete a uma demanda expressiva, imaginária, lúdica e criativa que se inserem no processo de construção das manifestações corporais ligadas ao universo das artes marciais. Já o termo “marcial” está ligado às dimensões conflituosas das relações humanas e origina-se do deus Marte (deus romano da guerra; Ares para os gregos).

Neste sentido, as lutas e as artes marciais podem ser compreendidas como manifestações antropológicas distintas e multifacetadas, sendo que em nossa sociedade atual suas representações são carregadas de sentidos e significados decorrentes de diversas fontes de estimulo que o sujeito tem acesso.

Alguns trabalhos sobre lutas e artes marciais nas aulas de educação física foram publicados nos últimos anos, o que nos permite inferir que esta manifestação corporal vem sendo aos poucos reconhecida pelos professores e muitos destes, vem se “arriscando” neste campo de trabalho com os alunos.

Lutas Como um Instrumento Pedagógico

Professor ensinando Aluno

 

Ainda que o professor não possua uma formação ampla sobre o assunto desejado que irá ser trabalhado, é possível ainda assim trabalhar dentro da realidade de estrutura física da escola, e da sua formação profissional.

Importante salientar que as lutas em ambientes escolares devem ter abordagens diferenciadas das lutas trabalhadas em academias.

O professor de educação física acostumado a criar, a inovar em atividades recreativas e jogos, pode facilmente propor exercícios para treinar equilíbrio, agilidade e força.

É necessário o professor ter conhecimentos básicos sobre as aulas praticadas, da mesma forma que o professor deve buscar o conhecimento quando precisar ensinar uma modalidade, atletismo, ou uma atividade recreativa aos seus alunos, o estudo e a busca de informações para construir suas aulas de lutas pode seguir da mesma forma.

Este assunto abre vários caminhos e serve de ponto de partida para alguns eventuais debates sócias, com certeza ao se trabalhar lutas na escola a palavra violência será a primeira a ser cogitada em âmbito escolar e poderá ser confundida se não bem explicada e conceituada como citado anteriormente.

Assim como em outros desportos, nas lutas as meninas praticantes sofrem dois tipos de preconceitos: o primeiro é ser identificada como masculinizada e também se submetem a uma manifestação da cultura corporal ligada essencialmente a uma das matrizes de gênero, no caso, a masculina.

Estamos tentando trazer um conceito dinâmico de bom entendimento, onde a palavra luta esteja bem empregada e possa assim ser recebida sem descriminações ou qualquer eventual erro ao assimilar.

Será necessário então o professor de Educação Física recorrer a livros e outras informações para que possa assim disponibilizar de uma modalidade que pode ser escolhida através da cultura de seu país, regiões, e que se integre totalmente dentro dos padrões escolares sendo assim menos arriscado a sofrer riscos de preconceito, indiferenças. Onde proponham sim trabalhar não tão somente o corpo como a mente dos alunos.

Geralmente os preconceitos começam a surgir pelo fato de muitas escolas não terem uma estrutura adaptada para a pratica deste esporte.

Necessita assim de dedicação, criatividade, e cooperação de alunos e professores podendo assim até mesmo produzir matérias de utilidades para que suas aulas possam acontecer de um modo que desperte o interesse e a vontade dos alunos.

Concluindo…

 

Lutas Marciais: Karatê

Contagiando a todos e incentivando a prática de determinadas e novas modalidades no âmbito das aulas de Educação Física.

Para que as aulas se tornem ainda mais prazerosas é importante trazer para os alunos informações básicas e fundamentais, sendo como exemplo palestras que realizem apresentações das artes marciais entre outras.

O professor pode, independentemente da disciplina, fazer uso dos filmes de artes marciais em suas aulas, criando sobretudo uma oportunidade multidisciplinar de ensino, onde contenham diferenças quanto ao modo de vestir, organização social, comportamento e educação.

Contudo é importante dar aos alunos liberdade de escolha e decisão, não espere que ele atinja um determinado aprendizado em função, mais muna os de informações das quais eles encontraram em seu dia-a-dia.

As lutas podem ser consideradas atividades de grande potencial interdisciplinar, constituindo-se em instrumentos de pesquisa de conteúdos de diversas outras disciplinas, fazendo com que o aluno não se limite apenas aos exercícios físicos. Constituindo várias formas de aprender, tratando de temas polêmicos, possibilitando debates importantes para a sua formação e compreensão do mundo social.

O Professor deverá se preocupar com a saúde e bem estar dos alunos em geral, estando ciente que todos agem com emoções e interesses conscientes diferenciados, não abrindo espaço para agirem de forma agressiva.

Portanto, o educador deve abordar esse tema tão polemico. Sendo visto que este está presente no cotidiano do aluno, mostrando e ensinando toda diferenciação das “brigas” do tatame para as “brigas de rua”. Deve-se perceber também as perspectivas de seus alunos quanto ao conteúdo.

Sendo notória que há possibilidades de se trabalhar lutas de maneira satisfatória abrangendo assim diferentes tipos de aulas praticadas que tragam consigo a satisfação de todos.

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Written by Pollyanna Silva

Pollyanna Silva

- Licenciada Plena em Educação Física - Universidade Católica de Brasília
- Professora Mestre em Educação Física - Universidade Católica de Brasília
- Especialista em Gestão e Orientação Educacional - Faculdade Mauá
- Exerce o magistério em nível superior a uma década, professora da secretaria de estado de educação do Distrito Federal a 18 anos.
- Autora de vários artigos nas áreas de Educação e Educação Física
- Trabalha com preparação física de atletas de alto rendimento da seleção brasileira de artes marciais e com formação contínua de professores.

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